impacto de acordo Mercosul-UE na economia pode chegar a US$ 112 bilhões, diz CNC

O acordo entre o Mercosul e a União Europeia terá um impacto de aproximadamente US$ 79 bilhões na economia brasileira até 2035, segundo estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Esse valor poderá chegar a US$ 112 bilhões, se for considerada a redução de barreiras não tarifárias, de acordo com a Confederação. O estudo foi divulgado nesta sexta-feira (11/10), durante a 2ª Conferência de Comércio Internacional e Serviços do Mercosul (CI19), na sede da CNC, no Rio de Janeiro.

Na abertura do evento, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, destacou o papel institucional da Confederação no debate, que teve como finalidade analisar temas de interesse comum entre as Câmaras de Comércio dos países que integram o Mercosul, além de discutir estratégias de atuação dessas representações empresariais. “Faz parte das funções da CNC promover a boa interlocução entre o poder constituído e os anseios do empresariado”, disse Tadros.

O acordo Mercosul-UE permitirá, entre outros pontos, agilizar e reduzir custos dos trâmites de importação e exportação de bens, diminuindo a burocracia e aumentando a transparência para os operadores econômicos. “Vamos abrir novos mercados em um continente rico para exportar”, destacou o presidente da CNC. Segundo Tadros, a competitividade global sempre existiu, mas a evolução é necessária: “Cada vez mais é preciso procurar mercados oferecendo produtos de melhor qualidade a preços menores”.

Temas estratégicos
Além das perspectivas do acordo com a Europa, a Conferência debate temas estratégicos para o setor de comércio e serviços, no âmbito do bloco econômico, como a negociação comercial com a Associação Europeia de Livre Comércio (Efta) e o papel das câmaras de comércio no fortalecimento das relações intrabloco.

Nesse sentido, o presidente da CNC destacou também a necessidade de maior integração entre os mercados da América do Sul. “Somos latinos, ibéricos, sul-americanos e estamos vocacionados a uma coexistência que precisa transformar a dependência mútua em oportunidade de elevar os padrões econômicos, sociais e de qualidade de vida dos nossos povos”, ressaltou Tadros, que completou. “Temos que trabalhar juntos por uma integração definitiva, e essa integração deve ser efetivada por nós, empresários.”

Um dos convidados para o debate, o embaixador Pedro Miguel da Costa e Silva reforçou que é preciso aproveitar as oportunidades que surgem dentro do continente sul-americano. “Com a conclusão do programa de eliminação de tarifas com o Peru, neste ano, já temos uma área de livre comércio no continente com quase todos os países. Praticamente não há mais tarifas, e precisamos aproveitar isso beneficiando as nossas exportações”, afirmou Costa e Silva, que é coordenador nacional do Grupo Mercado Comum, no exercício da Presidência Pro-tempore do Mercosul.

Sobre o estudo
Dos US$ 79 bi projetados, uma parte representa o saldo da balança comercial (US$ 66 bilhões), enquanto a outra fatia engloba o investimento agregado (US$ 13 bilhões). Os US$ 33 bilhões restantes – para se chegar a US$ 112 bi – se devem à redução das barreiras não tarifárias, o que envolve prestação de serviços, compras públicas e congruência de padrões fitossanitários, entre outros. Essas barreiras serão gradualmente extintas em dez anos para a Europa e 15 anos para o Mercosul.

Para chegar aos resultados, a CNC verificou aspectos como o impacto que a desgravação tarifária planejada teria nas importações e exportações registradas pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) entre 1996 e 2019, extraindo um coeficiente depois aplicado nas trocas futuras. Foram consideradas as exportações agrícolas brasileiras, além dos principais manufaturados europeus importados pelo Brasil. Também foram levados em consideração outros fatores, como projeções de preço dos produtos pela Funcex; crescimento médio de 1,2% para a economia da União Europeia no período (FMI); e taxa de câmbio entre R$ 3,98 e R$ 4,02 até 2024 (Boletim Focus) e reajustada pela inflação.

Sobre o evento
A CI19 é um evento do Conselho de Câmaras de Comércio do Mercosul, integrado pela CNC. As reuniões ocorrem, alternadamente, nos países onde estão sediados seus membros. A organização da Conferência de outubro de 2019 ficou a cargo da entidade brasileira, pois o Brasil está na Presidência Pro-tempore do Conselho de Câmaras de Comércio do Mercosul (CCCM). A primeira edição foi promovida pela Câmara Argentina de Comércio e Serviços (CAC), no dia 21 de março deste ano, em Buenos Aires – ARG.

Fonte: CNC

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