Por Francisco Maia
Presidente do Sistema Fecomércio-DF (Fecomércio, Sesc, Senac e Instituto Fecomércio)

As mudanças que transformam a história do homem não surgem pelo desprezo daquilo que é velho, mas pela necessidade de sobreviver. O convívio obrigatório com o novo é o que provoca as evoluções na humanidade e ciclos marcam as mutações no convívio dos homens. Quase sempre, é pela dor particular e o sofrimento comum, que as sociedades podem progredir. A pandemia do Covid-19 é hoje agente transformador social na economia das comunidades. A produção, a venda e o consumo já vivem nova realidade. O comércio tem outra engenharia. A necessidade de consumir é contrariada pelo pavor da contaminação nas ruas. As lojas ficam vazias, mas a população se abastece e o dinheiro circula.

A pandemia de coronavírus, que fechou lojas, exigiu novas estratégias para vendas. O comércio eletrônico está sendo salva-vidas ideal para enfrentar o desastre. O socorro chegou logo e mostrou para o que veio. O e-commerce, já no primeiro mês da crise, cresceu no Brasil 42%. O movimento de autoatendimento digital no setor de varejo aumentou veloz nos primeiros seis dias de março, segundo a consultoria Ebit Nielsen. Apenas na angústia e sofrimento, superamos tempestades sem esperar apenas por milagres. Audácia e criatividade são fundamentais para sobreviver.

A aceleração da procura pelo e-commerce, depois da Covid-19, mostrou que a prioridade para a sobrevivência foi encontrada. Esperava-se que sua utilização duplicasse em 5 anos, mas com a quarentena, o aumento já está sendo imediato. A população aumentou suas compras online de 19 para 34%, segundo a Kantar inglesa, multinacional que controla o Ibope, e também uma estimativa de que o comércio online brasileiro, gere um faturamento de R$ 90,7 bilhões nesse ano. A literatura tem encanto nas letras, mas também sabedoria, que ensina nossa própria superação. Gabriel Garcia Marques, calejado por seus Cem Anos de Solidão, sabe dar lições. “A vida se resume apenas à uma contínua sucessão de oportunidades, que nos permitem sobreviver.”