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Vice-presidente da Fecomércio escreve artigo sobre o declínio da política habitacional

Em um artigo intitulado “Uma boa política, ladeira abaixo” o vice-presidente da Fecomércio-DF, Miguel Setembrino, aborda o declínio daquele que tinha sido um dos grandes acertos dos governos petistas: o resgate da política habitacional que havia reerguido a indústria imobiliária brasileira, beneficiando o segmento em todas as pontas.

Uma boa política, ladeira abaixo

Miguel Setembrino Emery de Carvalho

Coisas boas na vida, que enaltecem e distinguem os homens de bem, são o senso de justiça e o sentimento de gratidão, por exemplo. Sob essa ótica, devemos enaltecer a primeira quadra dos governos do PT, especialmente o de Lula, que resgatou os pilares de uma política habitacional para o Brasil, que andava esquecida desde o desaparecimento do BNH e do Sistema Financeiro de Habitação.

O surgimento do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, a manutenção dos fundamentos macroeconômicos do Plano Real, que permitiram a ampliação e popularização das linhas de crédito para a casa própria, representaram um avanço sem paralelo para a indústria imobiliária em todas as suas pontas.

Beneficiou do mais simples pedreiro ao dono de construtora. Do locatário ao proprietário do primeiro imóvel. Foi tão acertada a retomada de uma política habitacional de fato que, rapidamente, ela se tornou um dos esteios da força e da popularidade dos governos petistas.

Basta lembrar que, enquanto as grandes economias praticamente se liquefaziam com e estouro da bolha imobiliária global, por aqui a economia mal se ressentia dos abalos do tsunami, surfando uma reles marolinha, tamanha a força e solidez d0s nossos mercados altamente capitalizados, em especial o imobiliário.

Mas, quando os acertos começaram a ser substituídos por erros grosseiros de manipulação política e econômica, quando os bons fundamentos e as boas prática foram esquecidas em nome de um único projeto de poder, o que parecia estar assentado em bases sólidas, se mostrou um gigante com pés de barro.

Aquele programa que gerava renda, emprego, habitação, cidadania e inclusão social foi tragado junto às más práticas e destemperos gerenciais. A debacle da economia atingiu em cheio o segmento imobiliário, asfixiando o crédito, enfraquecendo a poupança e abalando a confiança de empresários e investidores, internos e externos, na capacidade de crescimento da economia brasileira.

Para tampar definitivamente o caixão, os escândalos de corrupção trouxeram para o epicentro da crise algumas das principais empresas do setor de construção do País, agravando ainda mais o quadro de insolvência, desemprego e fuga de capitais.

Some-se a isso, a opção do governo em promover um chamado ajuste fiscal onde a tônica é enfiar a mão no bolso dos trabalhadores, profissionais liberais, prestadores de serviços e do setor produtivo como um todo para resolver os problemas de sua má gestão econômica.

Para o setor imobiliário, os resultados dessa política econômica atual tem sido desastrosos. O encolhimento do Minha Casa, Minha Vida é visível. Aumentaram-se as taxas de financiamento tanto de imóveis novos como usados. A taxa Selic bateu nos 13,5% , a mais alta em muitos anos de medição.

Como consequência direta, o crédito para a casa própria caiu 5% apenas neste primeiro trimestre. É a primeira retração para o período pelo menos desde 2002, quando se iniciou o último ciclo de expansão no crédito no país.

O mercado imobiliário é uma pálida sombra daquele que emergiu nos primeiros dias do chamado governo popular, quando nos ombros do povo e com maciça aprovação estabeleceu-se um novo caminho de desenvolvimento. Hoje, lamentavelmente, caminhamos sobre escombros de um terremoto moral e ético sem precedentes.

Por conta desses desacertos, só aqui no DF, a indústria da construção civil já demitiu, desde janeiro, perto de 20 mil trabalhadores. Lançamentos foram postergados e milhares de unidades habitacionais mofam nos estoques das imobiliárias. Não podíamos prever que a queda seria tão vertiginosa. No meio de tantas contas em bilhões de dólares, estamos a cata de míseros trocados em reais.

 

 

 

 

 

 

 

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