Silêncio da alegria

Francisco Maia
Presidente do Sistema Fecomércio-DF (Fecomércio, Sesc, Senac e Instituto Fecomércio)

Nossa cidade viveu um momento muito feio para quem conta a história das liberdades da cultura e do livre prazer da vida. Censuraram amúsica, a voz, a alegria, o empreendimento e a liberdade de Brasília ser uma capital cosmopolita aberta às novidades do mundo.
É lamentável, quase vergonhoso, mas a capital federal entrou no noticiário dos jornais pela sessão policial. Fecharam um bar que incomodava à comunidade em razão da Lei do Silêncio, disseram as manchetes. O Pinella é um bar com o DNA de Brasília, e as donas, Marta e Flávia, são um exemplo de empreendedorismo.

Acabaram de abrir o Evolua, primeiro mercado lixo zero da capital onde empregam muitas mulheres num setor onde isso é muito raro. Colaboram para deixar o setor de bares muito mais sustentável, pois são incansáveis para proibir canudos e plásticos. Os bares de Brasília são icônicos, pois já foram palco para bandas como Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude. Eu defendo #pinellaeuapoio, mas não vamos nos restringir apenas a um episódio isolado.

Brasília tem que refletir se quer entrar para o rol dos grandes centros desenvolvidos do mundo ou se apequenar na comodidade de uma linda cidade do interior de Goiás. Não pode haver turismo, vida noturna, alegria nas ruas, atração nas noites sem que as pessoas tenham liberdade de expressar sua alegria. Não existirão grandes espetáculos se os comerciantes e empresários não tiverem segurança sobre seus investimentos. Certamente existe o direito das pessoas que não querem ser incomodadas pelos ruídos da noite.

Mas em alguns bairros, o barulho das madrugadas significa uma atração turística. Existe uma lei, mas as leis devem surgir como um pacto de boa convivência entre a população e o desenvolvimento. Cabe ao bom senso dos governantes e legisladores buscar esse equilíbrio. Não é possível pretendermos ser uma cidade feita para o futuro vivendo com hábitos do passado.