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Segundo semestre pode ser positivo para os empresários do DF

A economia começa a dar os seus primeiros passos para fora do buraco, e a luz no fim do túnel está cada vez mais próxima. Após recordes negativos em 2015, as vendas no comércio varejista brasileiro começaram a mostrar recuperação, com uma alta de 0,5% em abril, na comparação com o mês anterior, segundo dados do IBGE. Em Brasília, o comércio registrou, no mês de maio deste ano, o primeiro crescimento de 2016 nas vendas, com um acréscimo de 0,66%, quando comparado com abril. Já o setor de serviços teve seu primeiro mês positivo em junho, quando as vendas tiveram uma elevação, na comparação mensal, de 1,11%, de acordo com a Pesquisa Conjuntural de Micro e Pequenas Empresas do Distrito Federal, realizada pelo Instituto Fecomércio com apoio do Sebrae.

boletim2O presidente da Fecomércio, Adelmir Santana, explica que o comércio vem se recuperando a cada mês que passa. “A reação nas vendas sinaliza uma adaptação por parte dos empreendedores à estrutura de custos com melhor alinhamento de ofertas para o novo padrão de consumo da população, ainda ditado pela crise econômica”, afirma. “Em janeiro deste ano, o comércio teve uma queda de 13,45% nas vendas, em fevereiro o declínio foi de 7,57%, já em março foi de 5,30%. Ainda estamos longe do ideal, mas já é possível observar que, a passos pequenos, o comércio está recuperando o fôlego nas vendas”, diz Adelmir.

Acompanhando esse cenário, a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) do País este ano teve sua primeira melhora, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), após cinco projeções de queda. A expectativa agora é que a economia brasileira encolha 3,3% em 2016, ante uma queda de 3,8% estimada em abril. Para 2017, o FMI prevê que a economia brasileira volte a crescer. O órgão estima um avanço de 0,5% no PIB, contra uma projeção de crescimento nula feita nos dois últimos levantamentos.

A confiança dos empresários também começa a receber as primeiras doses de alto estima. O estudo que mede a confiança do empresariado do País, elaborado pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), apresentou o maior resultado em 15 meses, com um aumento de 10,7% em julho, na comparação com junho, fixando-se em 87 pontos. Já na comparação anual, o índice teve alta de 2,4%. De acordo com a divisão econômica da CNC, apesar do resultado expressivo no primeiro mês do segundo semestre do ano, é bom ter cautela, pois o número continua abaixo da zona de indiferença — números a baixo de 100 indicam pessimismo.

// Expectativa do empresário
A economista da CNC, Izis Ferreira, analisa que a alta no índice de confiança no mês de julho foi motivada, principalmente, pela melhora em três subíndices da pesquisa, que são: a expectativa do empresário do comércio, que teve alta de 12,1%, seguida pela avaliação das condições atuais da economia (6,1%) e pelas intenções de investimento do comércio (4,2%). “Percebemos que todos os índices que medem a expectativa, tanto quanto o desempenho da empresa, investimentos e em relação à economia, apresentaram variação positiva para as duas bases de comparação, a anual e mensal. O que demostra que o empresário está mais confiante”, ressalta.

Segundo Izis, o comerciante está esperando que os últimos seis meses do ano serão melhores em relação às vendas e na economia como um todo. Ela acredita que isso é reflexo nas mudanças no cenário político nacional. “A expectativa positiva pode ser creditada à mudança na política brasileira, no governo, nas perspectivas em relação às medidas de ajustes e à troca das equipes dos ministérios”, explica. “O empresário reage mais rápido às mudanças econômicas do que o consumidor, que demora um pouco a mudar de atitude, pois ele depende ainda da melhora de sua renda”, explica Izis.

A economista da CNC complementa que se o índice de confiança continuar a subir 10% por mês, é possível que até o final do ano o número ultrapasse a margem de indiferença. “É possível que continue subindo. Os números indicam que o pior momento já passou, mas ainda estamos trabalhando com certa cautela. O segundo semestre costuma ser melhor para o comércio em geral, devido às festas de fim do ano. Com isso, abre-se uma janela positiva, pois podemos perceber que a inflação futura não deve crescer, assim como não temos perspectiva de aumento nas taxas de juros. Além disso, a movimentação do câmbio recentemente tem favorecido o importador”, avalia.

// Reação rápida

Para o consultor de varejo, Alexandre Ayres, e diretor da Neocom, empresa que assessora e desenvolve projetos para empresas, o segundo semestre de 2016 tem tudo para ser melhor que o primeiro semestre deste ano e o último semestre de 2015. “Deveremos ter números melhores no segundo semestre, até porque os últimos seis meses do ano passado foi muito ruim. O problema é que ainda não devemos alcançar os números de 2014. Na minha opinião, vamos precisar de mais um ano para a economia se recompor, ou seja, só em 2017”, explica Ayres.

O consultor acredita que Brasília é diferente de outras regiões do País e costuma reagir mais rápido. “A minha empresa estuda condições do varejo no Brasil inteiro e percebo que aqui em Brasília o comércio tem condições de superar a crise mais rapidamente do que em outros estados. Primeiro porque Brasília está no centro do poder. Aqui o consumo é influenciado pelos funcionários públicos, que tiveram reajuste salarial, o que é ótimo para o comércio candango, pois reativa a economia e os resultados das vendas são melhores”, aponta.

Na visão do especialista em varejo, alguns segmentos saíram mais fortemente na crise. Segundo Ayres, quando o consumidor está em uma condição econômica mais estável ele se arrisca mais, faz financiamentos longos, e acaba tendo a renda comprometida por um grande período de tempo. Com a recessão, os investimentos são mais cautelosos, priorizando áreas de cuidado pessoal, como cosméticos, acessórios ou academias, por exemplo. “Quando o dinheiro não está comprometido, o consumidor acaba gastando em produtos que visam ao bem-estar, como o setor de beleza ou o de saúde, que foi um dos que mais cresceu durante a crise”, ressalta.

Como dica para quem quer investir no segundo semestre, o especialista informa que se o empresário estiver bem capitalizado pode fazer excelentes negócios. “Está tudo em promoção, no sentido de aluguéis baixos e imóveis em pontos bem localizados. Hoje, quem tiver condição de empreender e investir vai pagar mais barato e gastar menos do que no passado”. Porém, ele salienta que é importante fugir de empréstimos bancários, pois os juros ainda estão altos.

Apesar da euforia com os números voltando a dar sinais positivos, Ayres afirma que agora é momento de ter os pés no chão e começar a quitar as dívidas que foram acumuladas durante a crise. “Uma crise tão longa acaba trazendo danos difíceis de sanar para a economia real. No caso do comércio de Brasília falamos de empresas familiares, pequenas e micro empresas, que no momento em que a crise se estabeleceu, muitos se apertaram e alguns chegaram a fechar as portas. Agora, com a retomada que é esperada para o segundo semestre, deve-se pensar em pagamento de dívida; é o momento de recuperação”, avalia Alexandre Ayres.

// Saúde importa

Com a confiança dos empresários voltando a crescer, o investimento volta à pauta do setor produtivo. Os empreendedores percebem que o pior já passou, agora é tempo de olhar para frente, investir e quem sabe até expandir os negócios, abrir novas unidades e apostar em capacitação da equipe para que o número de vendas continue a apresentar números positivos nos últimos meses do ano.

Para Alexandre Girade, proprietário da academia Premiere Fitness, a situação atual é de crise, mas quem investe na marca e tem cuidado com os funcionários pode se sobressair. Alexandre conta com duas unidades de seu empreendimento no DF, uma localizada na 503 Sul e outra inaugurada em fevereiro deste ano, no Shopping Venâncio. Agora, Girade já se prepara para a terceira unidade que será aberta no Sudoeste, no mês de outubro, que terá dois mil metros quadrados, maior que as outras unidades.

Segundo ele, para manter um negócio na crise e ainda expandi-lo é difícil, para isso, o empresário explica que é necessário muito trabalho para manter um diferencial das outras marcas que estão no mercado. “A crise também oferece oportunidades de negócios. Para se destacar entre os outros, é preciso ter um diferencial. Na Premiere primamos pela qualidade de serviço prestado. Criamos um instituto de capacitação dos funcionários, que estão em treinamento constante, o que reflete na qualidade do serviço final”, diz o empreendedor que também investe em produtos de ponta. “Nossa academia é a única em Brasília que é 100% Life Fitness, a líder mundial de equipamentos de musculação e ginástica”, afirma.

Com a proximidade do verão, Alexandre enxerga o segundo semestre com bons olhos para retornar o investimento feito na abertura das unidades.  “O final do ano costuma ser muito bom para as academias, existe um número elevado de matrículas e renovação nesses meses. Muitas pessoas querem se preparar para as férias de verão, ou até mesmo manter a rotina saudável de exercícios. Temos setembro, outubro e novembro como os melhores para o nosso segmento”, acredita o empresário.

Seguindo a linha do mercado de saúde, o empresário Paulo Henrique Azevedo, abriu as portas da primeira loja AcqualiveGroup no DF, na 412 Sul, para oferecer os sistemas que tornam a água alcalina. O empreendimento foi inaugurado em junho e trabalha no sistema de purificação da água, que é composto por recipientes, podendo ser de vidro ou de barro, e filtros específicos. Além disso, o Acqualive oferece equipamentos para tratar a água direto das torneiras, do chuveiro, removendo principalmente o excesso de cloro que é prejudicial para a pele, cabelos e olhos. A ideia do empresário é seguir o exemplo de outras franquias do grupo, localizadas no Espirito Santo e em Porto Alegre.

“Outras lojas no País já trabalham com um capital de lucro que gira em torno de R$ 350 a R$ 400 mil. Nossa intenção é atingir, nos primeiros meses de atuação, uma meta de R$ 100 a R$ 200 mil em vendas. É um mercado específico, com clientes de alto poder de compra. A expectativa é a de que em um ano já tenhamos mais de mil clientes”, aposta Paulo Henrique.

O empresário ainda vai investir na abertura de um café nos fundos da loja. Já na parte superior será aberto um espaço para profissionais da saúde, como médicos e nutricionistas realizarem projetos e workshops. “Estamos investindo para atrair o público, seguindo a onda da alimentação saudável”, diz.

// Beleza em dia

Já o grupo Ornatus, detentor e responsável pela gestão e expansão das marcas Morana, Balonè Fashion Bijoux e Little Tokyo, também está otimistas em relação aos últimos meses do ano. Segundo o gerente de expansão nacional do grupo, Danilo Assumpção, os meses de outubro e novembro são as melhores datas para o mercado, por conta da proximidade do Natal e do Ano Novo. A marca faturou em 2015 cerca de R$ 245 milhões e espera aumentar esse úmero em 2016 com a expansão das marcas.

De acordo com Danilo, o grupo trabalhará no segundo semestre para aumentar o número de franquias da Balonè, que atualmente conta com duas lojas em Brasília. Segundo ele, está sendo traçado uma grande força tarefa para o aumento de lojas da marca na capital do País. “Hoje, a menina dos olhos do grupo é a Balonè, dependendo das oportunidades e dos pontos comerciais temos uma expectativa de abrir duas ou três unidades no DF”, diz. “Queremos aproveitar as boas praças, é difícil conseguir bons pontos e agora, depois do momento mais conturbado da crise passar, percebemos que tem muitos pontos bons, com preço mais acessível. Também vimos que os shoppings estão mais sensíveis à negociação e estão entendendo que é um momento de união”, acredita Danilo.

Porém, é necessário ter critérios e cuidados na hora de investir, salienta Danilo. “Como já temos certa capilaridade de lojas, o processo de expansão está sendo realizado de forma criteriosa e com as devidas análises de risco. Se o risco for de médio para alto não avançamos, é um momento delicado e não queremos perder boas oportunidades”, afirma.

Criada em 2007, a Balonè Fashion Bijoux é considerada uma marca moderna e se destaca no mercado por ser uma rede Fashion. Segundo o grupo Ornatus, o diferencial da marca está em disponibilizar semanalmente nas lojas novidades das principais tendências e movimentos de moda.

No mesmo segmento, as irmãs Lucille Regner e Luciene Regner estão apostando no segundo semestre e abriram no final de junho o atelier  Soulu, em formato de quiosque, no shopping Gilberto Salomão. “Optamos pelo quiosque porque ele oferece condição de bem atender a qualquer cliente sem distinção de poder aquisitivo, uma vez que a nossa produção tem uma diversidade que contempla as dificuldades momentâneas da economia. O jargão comum é o de que há crise, porém o empreendedor deve focar sempre em objetivos. Não se influenciando pelos momentos, porque tudo é passageiro”, acredita Luciene Regner. As sócias apostam ainda no diferencial de atendimento, o objetivo das irmãs é estar bem próximo da clientela para obter resultados positivos.

// Venda em dólares

Outro setor que se mostra otimista com as vendas no fim de 2016 é o de intercâmbio, prevendo uma estabilidade maior de câmbio, com menos variações e um aumento na demanda de viajantes, reprimida pela recessão econômica. A gerente de vendas nacional da Student Travel Bureau (STB), Anna Paula Angotti, informa que a empresa teve uma retração de 27% na demanda no primeiro semestre deste ano, quando comparado com o mesmo período do ano passado. Porém, a queda não foi tão ruim assim, uma vez que o dólar está mais alto, a loja consegue compensar nos gastos em reais, já que a empresa tem seu custo calculado em reais, mas as vendas, em dólares.

“Existe uma demanda de clientes que quer comprar, mas ficam em dúvida por causa da instabilidade do câmbio, sentida principalmente nos primeiros meses do ano. Acreditamos que no segundo semestre isso melhore bastante. A expectativa é vender, nesse período, pelo menos 30% a mais do que o ano passado, que foi bem ruim”, informa Anna Paula.

Há 45 anos no Brasil e há 20 anos em Brasília, a rede de franquias da STB tem mais de 59 agências pelo País, e a perspectiva é de abrir mais dez lojas até o final deste ano em várias cidades do País. Em Brasília, são três unidades: Asa Norte, Asa Sul e Águas Claras. A gerente da unidade da Asa Sul do STB, Andréia Cunha, analisa que as lojas da STB em Brasília foram uma das cidades que menos sofreu com a crise. “Os funcionários públicos a cada cinco anos têm direito a tirar três meses de licença capacitação, e muitos tem feito isso no exterior com auxilio da nossa empresa. Outro fator que motiva o nosso segmento é que os pais estão cada vez mais investindo em educação, e essa crise fez com que os responsáveis pelos jovens, que querem fazer colegial no exterior, reflitam sobre o futuro de seus filhos”, explica. “A questão da educação é muito forte, talvez por isso, tenhamos sentido menos os efeitos da crise do que outros segmentos de mercado como turismo de lazer”, conclui.

A gerente de vendas nacional do empreendimento mostra ainda que apenas em junho foram 500 viagens fechadas, a expectativa é de que nos últimos meses esse número duplique ou até triplique. Ela ressalta ainda que a forma de pagamento facilita as vendas no segmento. “Temos parcelamento de até 24 vezes, o que ajuda muito. O brasileiro procura muito uma forma de financiar o sonho de conhecer outros países”, informa.

// Projeto Travessia

Com o intuito de ajudar os empresários a saíram da crise com o menor dano possível, o Sebrae lançou em junho o Projeto Travessia. A entidade salienta que a ação trará oxigênio para os pequenos negócios do País enfrentarem a recessão econômica, assegurando empregos e dando oportunidades para jovens ingressarem no mercado de trabalho.

O presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, explica que dos R$ 5 bilhões da nova linha de crédito, R$ 3 bilhões serão operacionalizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) por meio de instituições financeiras que são repassadoras de recursos, entre elas bancos privados, públicos e até mesmo cooperativas de crédito. Os outros R$ 2 bilhões restantes serão repassados pelo Banco do Brasil. O limite de financiamento é de R$ 200 mil por empresa, com prazo de pagamento de até 48 meses e seis meses para começar a pagar.
“O que motivou a criação do projeto foi a própria crise, a pequena empresa que não tem acesso ao crédito, terá um capital de giro importante, o que gera um oxigênio para o empresário poder aguentar atravessar a recessão e sair vivo do outro lado”, explicou o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos.

Ele salienta ainda que para conseguir o financiamento, as empresas de todo o País deverão se comprometer a manter, no mínimo, o número atual de vagas de trabalho no prazo de um ano e aquelas que tiverem mais de dez funcionários deverão contratar um Jovem Aprendiz.

O presidente do Sebrae explica que os juros serão de 17% e 19,5% ao ano. “Para essa linha, 30% dos contratos devem atender às microempresas com faturamento anual de até R$ 360 mil. O limite de financiamento é de R$ 200 mil por empresa, com prazo de pagamento de até 48 meses e seis meses para começar a pagar”, informou Afif.

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