Por Francisco Maia
Presidente do Sistema Fecomércio-DF (Fecomércio, Sesc, Senac e Instituto Fecomércio)

A morte do cidadão produz falta, saudade e dor para uma família; a falência de uma empresa é o fim de um sonho e desespero para os que viviam dela. Pelo feitiço do destino, a vida vira pó e o sonho pesadelo. Acontece que só a presença da epidemia e mortes são artes do destino; a insensibilidade do governo é um produto dos homens. A incúria na pilotagem das medidas de crédito ao comércio foi também uma autêntica epidemia. O empreendedor contribui com 35% de impostos, média tributária no Brasil, para que em um momento de pandemia o Estado venha faltar, à salvação das empresas.

As providências alardeadas pelos austeros senhores da economia no país viraram enorme colarinho de espuma em um copo de cerveja. Um miado de gato foi o urro do leão. Entre as ações anunciadas pelo governo federal, houve um auxílio de R$ 600 para os informais, que até hoje espreguiça para o pagamento da primeira parcela e uma linha de crédito do BNDES para as pequenas empresas pagarem aos funcionários, que até hoje adormece na burocracia dos bancos privados. Da promessa inicial de R$ 77 bilhões do caixa do BNDES, apenas R$ 13 bilhões foram aplicados. Certamente, muito pouco para os pequenos. Foram R$ 7 milhões (38%) os que procuraram crédito, porém 58% jamais conseguiu o dinheiro.

Na química fina da ciência econômica, jamais o capital especulativo pode ser o gestor dos investimentos para a produção e comércio. Juntar os dois é como colocar coelhos para administrar um campo de cenouras. Imaginar que um economista, que conhece o bom lucro do mercado de capitais, poderia ter a sensibilidade para entender as agruras de um comerciante, é mera ficção. A grande vítima dessa tempestade na economia são os pequenos que não tem como suportar a enxurrada. Só aqui, no Distrito Federal, 2.247 empresas desapareceram. Desse montante, 99% são micro e pequenos empreendedores, sendo que 78% deles atuam em serviços e no comércio. Repetindo um jargão do mundo financeiro, fica provado que só se dá prata, a quem já tem ouro.