Francisco Maia
Presidente do Sistema Fecomércio-DF (Fecomércio, Sesc, Senac e Instituto Fecomércio)

Na história moderna da humanidade, o homem está vivendo a segunda grande ameaça contra sua espécie. A pandemia do coronavírus, o Covid-19, chegou para matar alguns, ensinar aos vivos e mudar as regras do mundo. Para o bem ou para o mal, depois de 2020, as sociedades serão diferentes.

No mês de março, por coincidência ou destino, faz um século que a Terra conheceu um flagelo que matou de 50 a 100 milhões de pessoas. Também um vírus, também uma gripe: a Gripe Espanhola.

Em 4 de março de 1918, um soldado de Fort Riley, nos Estados Unidos, pegou uma gripe diferente: sangrava pelos olhos, nariz e a boca. Morreu logo, mas antes contaminou a tropa e a população da América. Muito rápido o vírus atravessou o oceano, se aproveitou da Guerra Mundial e contaminou quase todos os continentes. Para o Brasil deixou a lembrança da morte de Rodrigues Alves, um Presidente da República.

Para os Estados Unidos, berço da pandemia, houve a morte de Friederich, o avó de Donald Trump e, além de todas perdas humanas, uma grande vítima foi imolada: a Liberdade.

O presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson ( 1856-1924 ) determinou censura absoluta a qualquer notícia sobre a gripe que pudesse abalar a população ou os soldados. À época, todos os países obedeceram pacíficos à voz americana. Apenas uma exceção deu notabilidade e fez justiça a uma nação. A Espanha, como era neutra na guerra, não aceitou a censura e a notícia da tragédia que abalava a todos, chegou ao mundo. Pelo mérito à liberdade de informação, a Espanha ganhou mundialmente o título de pouco orgulho: Gripe Espanhola.

Em 30 de dezembro de 2019, Li Wenliang, um médico chinês com 34 anos, informou seus colegas do Hospital Central de Wuhan, na China, que havia o risco de uma epidemia de crise respiratória.As autoridades sanitárias da China censuraram a informação e Li foi forçado a assinar um documento em que prometia nada falar sobre a doença. Pouco adiantou: o coronavírus se espalhou e o médico morreu em decorrência da Covid-19.

A história ensina que a principal arma contra a pandemia do coronavírus ainda é a informação. Comunicar é fundamental. Precisamos constantemente repetir, repetir e repetir todos os dados que dispomos, até que as informações se cristalizem na consciência das pessoas. Esta é a primeira pandemia na história que a humanidade pode controlar. Nosso remédio é a palavra.
No âmbito do comércio, assim estamos fazendo em Brasília e em todo o Brasil.
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) sugeriu ao presidente da República, Jair Bolsonaro, que o corte de 50% previsto nas contribuições do Sesc e Senac, equivalente a R$ 1 bilhão em três meses, poderia ser substituído por serviços dessas entidades à sociedade.
Comprar respiradores, oferecer locais para vacinação e coleta de sangue, distribuir alimentos, verificar pessoas infectadas e trabalhar na prevenção à pandemia. O plano de ações inclui sugestões de conscientização de combate ao vírus e serviços à sociedade por três meses. Em Brasília, desde a confirmação que a pandemia tinha chegado ao Brasil e contaminava pessoas da cidade, a Federação do Comércio – Fecomércio, instalou uma Sala de Situação, que é uma central operacional de gerenciamento da crise. Permanentemente, uma equipe de profissionais experientes busca informações sanitárias e gerenciais. Todos os sindicatos empresariais do Distrito Federal estão sendo informados em seus WhatsApps e quaisquer meios de informação.

Em um domingo, dia 22 de marco, seis da tarde, na hora em que o ministro Alexandre de Moraes disponibilizou 1,6 bilhão de reais da Lava Jato para o combate ao coronavírus, imediatamente a Fecomércio informava à sua rede.

Dias antes, em 16, à volta das 15 horas, os empresários já estavam sendo orientados sobre as medidas que podiam tomar em relação a seus negócios e empregados. O governo anunciou uma cartilha de medidas para o setor empresarial.

Tão ou mais importante quanto tudo isso é a ponte direta que a Fecomércio estabeleceu com o governador Ibaneis Rocha, do Distrito Federal. A pronta ação do governador e a colaboração de todos os secretários permitiram que pudéssemos fazer de nossa central de comunicação um poderoso bunker na batalha à invasão dos vírus.

Todos nós temos o dever de aproveitar essa chance de solidariedade comunitária, para melhorar nossa capacidade de conviver. Não apenas os doentes que podem ser tratados, todos nós podemos nos curar e fazer da vida um momento extremamente alegre da existência. É possível que refinemos nossa sensibilidade a ponto de perceber que ao usarmos a palavra como poderosa arma, é fundamental escutar o outro a ponto de ouvir até o que não foi dito.