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Entrevista com Carlos Alberto Sardenberg

por acm

Âncora do Programa de rádio CBN Brasil, Carlos Alberto Sardenberg é hoje um dos principais comentaristas econômicos do País. Trabalhou como repórter, redator e editor nos maiores jornais do Brasil. Esteve em Brasília como palestrante no Encontro dos Revendedores de Combustíveis do Centro-Oeste, realizado pelo Sindicombustíveis, e falou, nesta entrevista, sobre a crise econômica que o País está enfrentando atualmente.

Buscar o reequilíbrio das contas tem sido o tom do governo nos últimos meses. Diante disso, como o senhor avalia a análise do TCU divulgada hoje de que as contas de 2014 não fecharam?

O TCU fez uma análise das contas, o que foi a confirmação do que já se previa. Nada que o TCU falou é novidade. Os analistas, os jornalistas, os economistas, já vinham falando isso há algum tempo, de que a conta está errada. Já havíamos alertado sobre malabarismo fiscal, contabilidade criativa, e pedaladas. Esse termo já está sendo usado há tempo pelo governo para esconder gastos e dívidas. O tem de novo no anúncio recente é que o Tribunal de Contas deu uma dedada, ou seja, disse que tem um problema e o problema é esse. Formalizou e politizou o problema. Isso é um dilema para o atual governo, mas ao mesmo tempo tem um efeito positivo extraordinário porque mostra que a responsabilidade fiscal e a responsabilidade com as contas públicas é para valer. O governo não pode largar a mão disso, e que será punido se assim o fizer. Há um avanço político e moral muito grande nessa decisão.

Mas também tem o problema de levar para o lado político e a discussão passar a ser política, não é?

Não, porque ele mostra que o governo não pode desrespeitar as regras. Se desrespeitar as regras, seguem-se as punições. É importante. E mesmo o impacto político é positivo. Tem muitos governantes que falam que gastam dinheiro quando não poderiam estar gastando.

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A indústria e o comércio têm sofrido desaquecimento, sinalizando para uma economia mais fraca –, e alguns setores passaram a pagar menos impostos, beneficiados pelas desonerações concedidas pelo governo. Tudo isso enxugou bastante as receitas com arrecadação. Deve ser votado até o final desta semana projeto de lei que reduz as desonerações nas folhas de pagamento. Na opinião do senhor, desonerar é um caminho deficitário nesse processo de ajustar as contas, certo? Gostaria que o senhor falasse um pouco sobre isso.

É uma encrenca maior. O governo desonerou, ele deixa de recolher impostos, em um momento em que ele está precisando de dinheiro. Esse é um ponto. Como o sistema político dificulta o corte de gastos, acaba sobrando para o aumento do imposto. Por isso que eu acho que temos que encarar a ideia de que precisa cortar gastos. Não é possível que não se consiga reduzir o gasto público no Brasil. Como é que não dá para reduzir gastos em algo tão grande, em um gigantismo como esse? E aí você vai precisar de menos impostos.

O número de famílias endividadas no Distrito Federal aumentou, assim como o universo das famílias com contas em atraso. E esse cenário se repete no restante do País. Como o senhor acha que a família brasileira deve se comportar daqui para frente?

A família brasileira está fazendo o mesmo que o governo, está fazendo ajustes. Só que ela está fazendo direito. Está cortando gastos, fazendo seu ajuste fiscal. E está certo. É o que tem que ser feito neste momento. Cortar os supérfluos e não necessários. O governo deveria se mirar no exemplo das famílias brasileiras e cortar os gastos da máquina pública.

Nesta semana, a CNC revisou novamente para baixo, pela quarta vez consecutiva, a expectativa de vendas do comércio varejista em 2015. Há uma perspectiva de continuidade na tendência de encarecimento do crédito e de novas quedas na confiança do consumidor. Como o senhor avalia esse cenário em que esses pequenos empresários estão com a corda no pescoço? Como o pequeno empresário pode vencer a crise?

Todo mundo tem que se ajustar para baixo. Tem setor que está indo bem, que não está sofrendo, como o setor de medicamentos, por exemplo. Mas, de um modo geral, está todo mundo apertado e tem que fazer ajustes. Tem que economizar, melhorar a administração, cortar custos, essas coisas todas. Agora, o setor privado já faz isso, já sabe se ajustar. O problema nosso é o governo, as prefeituras, os governos estaduais. Eles estão todos inventando impostos para tomar mais dinheiro. O setor privado normalmente se ajusta, sabe se ajustar.

Neste ano, a Fecomércio-DF publicou um estudo chamado Brasília 2015, fruto de debates realizados ao longo de três anos com especialistas de diversas áreas. O estudo apontou que a solução para Brasília alcançar melhores índices de desenvolvimento social e econômico está em investir ao redor do DF, dotando as cidades do Entorno de cadeias produtivas que beneficiem as vocações de cada município. O senhor já presenciou situações como essa em outras grandes cidades brasileiras e qual foi a saída para elas?

Brasília tem uma situação rara, tem a maior renda per capita do País, não tem atividade econômica industrial, não tem atividade econômica de agronegócio, mas ainda assim tem uma renda alta. Isso porque é aqui que está a elite do funcionalismo público. E é essa elite que gera essa economia de serviços forte. Mas a economia vai ficar centrada no Plano Piloto. Então, como fazer o crescimento dessas cidades, não sei. Seria preciso descobrir a vocação de cada região, não sei se é o caso de trazer indústrias. O que funciona bem nesse cenário são os polos de tecnologia. Mas para isso é preciso ter infraestrutura como a instalação de cabos de fibra ótica, antenas, imóveis baratos. Isso foi feito em Campinas, Olinda, em cidades do Rio Grande do Sul. É possível de serem feitos sim.

O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), assinou um decreto que regulamenta a concessão à iniciativa privada da gestão de espaços e serviços públicos, que poderão ser explorados por empresas e consórcios em contrapartida de melhorias no local. Como o senhor avalia essas parcerias?

Acho que é o único caminho para se fazer investimentos hoje no Brasil. Se o setor privado não entrar, não sai do papel. Ou sai muito pouca coisa. Para termos um boom de investimentos, é preciso que o setor privado esteja envolvido. E para isso, é preciso ter concessões rentáveis, bons negócios. Rentáveis para a população, sobretudo. O que interessa à população? Que exista um boa estrada, uma boa escola, um bom hospital. Para quem é atendido em um hospital, faz diferença que seja uma administração pública ou privada? Não. Ele quer é ser bem atendido, certo? Eu não vejo porque eu não posso privatizar hospitais, por exemplo. Já existem vários hospitais, presídios, que são administrados pela iniciativa privada, no Ceará, em Minas Gerais, por exemplo. Em vez de o governo operar o presídio, ele faz uma concessão com uma rede hoteleira, e ganha R$ 200 por preso, de modo que a empresa privada opera o local e ganha dinheiro com isso. Pernambuco é um exemplo de efetivação de Parceiras Público-Privadas para hospitais, no governo de Eduardo Campos. É esse o caminho, concessão para o setor privado.

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