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Crise? Que nada!

por acm

Por Andrea Ventura e Silvia Melo

Segmento de comércio adota estratégias para driblar a crise. Há ainda empresas que não sentiram a crise e planejam abertura de novas lojas.

Conseguir driblar as adversidades econômicas e crescer em tempos de crise não é tarefa fácil para os empresários. Mas quem apostou em setores como o de seguros, supermercados, farmácias, perfumarias, cosméticos, combustíveis e lubrificantes não tem do que reclamar. Mesmo com o desemprego, juros altos, inflação, inadimplência, entre outras consequências da crise econômica pela qual o País está passando, os empresários têm adotado estratégias para alavancar seus negócios. Diversificação, criatividade, busca por conhecimento e até ajuda de consultorias especializadas são alguns dos caminhos para superar as dificuldades nas empresas.

Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostra que alguns desses setores têm registrado contratações acima da média. Segundo a CNC, os dois ramos do varejo que encabeçam o ranking de geração líquida de vagas nos últimos doze meses, os hiper e supermercados e farmácias, perfumarias e cosméticos, têm como característica comum um maior grau de autonomia em relação às condições de consumo. Ou seja, apesar de guardarem relações com a evolução do emprego e da renda, as vendas nos segmentos de alimentos e medicamentos são caracterizadas pela comercialização de bens de consumo de primeira necessidade. “Isso quer dizer que por mais que as pessoas tenham menos renda elas não vão deixar de comer. Não vão cortar comidas, podem cortar compras de geladeira, de uma TV, vão diminuir seu ritmo de compras, mas não deixam de comprar alimentos. Então, esses setores que são essenciais para o cotidiano das famílias, sofrem sim com uma economia mais fraca, porém, eles não têm um impacto forte, uma sensibilidade tão forte quanto os bens duráveis”, explica Bruno Fernandes, economista da CNC.

Segundo ele, o comércio como um todo atravessa um processo de desaceleração forte mostrando queda nos últimos 12 meses. Alguns setores, porém, tiveram uma desaceleração menor do que outros, como é o caso dos hiper e supermercados, que registraram uma queda pequena de 0,9%, enquanto que móveis e eletrodomésticos vêm tendo uma queda mais forte, de 6%. “Artigos farmacêuticos ainda obtêm crescimento, com resultado positivo de 6,8% nos últimos 12 meses. Hiper e supermercados não, já vêm registrando queda, porém menor do que os outros itens”, destaca o economista, lembrando que, por mais que a economia venha desacelerando e o poder de compra venha se deteriorando, com inflação mais alta, menor renda, crédito mais caro, esses bens de supermercados e artigos farmacêuticos são bens mais inelásticos do que bens duráveis. Em crescimento nos últimos 12 meses, além dos artigos farmacêuticos, estão os setores de equipamentos e materiais para escritórios, informática e comunicação, e outros artigos de uso pessoal e doméstico.

Um dos sinais de que a empresa não está sendo afetada pela crise é a contratação de empregados ou a permanência dos que já existem, ou seja, a não demissão. A rede de supermercados brasiliense Dona de Casa está na contramão da crise econômica e inaugurou recentemente sua sétima unidade no Sudoeste. “Nos últimos anos tivemos um acréscimo de 20% do quadro de colaboradores”, afirma César Kazuo, analista de marketing da rede. Atualmente a rede está presente em sete Regiões Administrativas do DF: Águas Claras, Candangolândia, Gama, Guará, Sobradinho, Sudoeste e Taguatinga. Para manter os clientes, o Dona de Casa aposta em um mix diversificado de produtos e serviços. “Possuímos serviços diferenciados para tornar a experiência de ir ao supermercado a mais agradável possível, como, por exemplo, pizzarias expressas, sushis, cortes especiais de carne, adegas climatizadas e fazemos de tudo para sempre oferecer o melhor atendimento possível”, destaca Kazuo.

// Corte de custos

Para driblar a crise, o economista Bruno Fernandes acredita que o ideal é cortar ainda mais custos. “Sabemos que é difícil. Chegou ao ponto máximo, mas é tentar otimizar a produtividade, ou seja, aumentar a eficiência da sua mão de obra, aumentar a eficiência da sua linha de produção. Essa é a única maneira de tentar melhorar, de tentar fugir um pouco da crise” afirma. “O empresário teria que produzir mais por menos, ou seja, com o mesmo número de funcionários, produzir mais e aumentar a eficiência da sua produção, aumentar a sua produtividade e cortar custos desnecessários. No caso, o máximo possível de custos desnecessários”, conclui.

O segmento de restaurantes amargou queda nas vendas. Segundo o presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Distrito Federal (Sindhobar), Jael Antonio da Silva a redução foi de 10%. Para driblar esse momento ruim, os empresários adotaram medidas. “Quando há redução de receita, primeiramente a tendência é redução de pessoal. Em seguida, os empreendedores usam a criatividade, fazendo promoções, incluindo no menu pratos executivos, com entrada, prato principal e sobremesa de forma a atrair clientes”, explica.

Segundo Jael a grande maioria dos estabelecimentos utilizou de ações para driblar esse período conturbado. Outra ação foi incentivar o uso de delivery. “É uma forma de continuar vendendo. Quando o cliente vai ao restaurante acaba consumindo mais, porque há os 10%, bebida, um café, por exemplo. Já no delivery o preço é mais em conta e o cliente não deixa de consumir – é bom para os dois lados”, destaca.

Proprietário de restaurantes em Brasília, o empresário Jeremias César Neto resolveu se antecipar à crise. Ele possui quatro unidades da lanchonete Zimbrus e um restaurante, o Miau Que Mia. No início do ano, Jeremias intensificou o serviço de delivery e o inseriu em mais duas lojas. “É uma forma de não perder mercado e fomentar as vendas, uma opção a mais e o custo não é tão alto”, revela. Mas para ele, a maior dificuldade é administrar o aumento de custos. “Senti bastante com o aumento de insumos, energia e água. Isso esmagou a nossa margem de lucro, porque não dá para repassar tudo para o consumidor, que está muito mais atento à questão de preços”, explica.

Para intensificar o delivery, o empresário investiu em divulgação do novo serviço em campanhas na mídia e redes socais. Além do delivery, Jeremias adotou no Zimbrus lanches em combos, que incluem acompanhamentos nos sanduíches e pratos executivos mais econômicos. No Miau Que Mia, a estratégia foi o prato família, com refeições mais robustas e preços convidativos. “Com essas ações sentimos uma melhora e o movimento retornou. Mas o problema ainda são as margens de lucro, que estão baixas”, aponta.

// Seguros em alta

JEREMIAS NETO_FOTO RAPHAEL CARMONA-7815Considerado um dos ramos que possui o melhor desempenho em 2015, o mercado de seguros tem expectativa de crescimento de 12%, de acordo com dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg). Só no DF, houve um crescimento de 20% se comparado o primeiro semestre de 2014 com o de 2015, segundo o Sindicato dos Corretores de Seguros, Empresas Corretoras de Seguros e Previdência Privada no DF (Sincor-DF). “Percebemos que é no momento de crise que as pessoas mais buscam proteger o seu patrimônio”, afirma Dorival Sousa, presidente do sindicato.

Segundo ele, o medo de perder um investimento, que muitas vezes é fruto de sacrifício e anos de trabalho para algumas pessoas, é uma das explicações para o aumento na procura por seguros. Da mesma forma, existe uma conscientização maior do empresariado em proteger a sua empresa e também poder propiciar alguns benefícios diretos e indiretos, que seriam apólices de seguros de vida, para os funcionários. “É uma fatia que as pessoas não colocam como aquilo que é facultativo, aquilo que seria despesa extra. O seguro é tratado como um investimento”, afirma o presidente. “Para cortar gastos, você pode até deixar, por exemplo, de ir a uma churrascaria aos fins de semana. Mas o seguro não tem como transferir essa garantia para outra bancar esse risco. Você pode buscar uma opção mais barata entre seguradoras, mas nunca substituir por outra coisa”, explica.

Ao comparar o primeiro semestre de 2014 com o de 2015, a Bancorbras Corretora de Seguros registrou aumento 9,72% em sua comissão. “Isso levando em consideração todos os produtos de seguro que comercializamos que são de automóvel, de vida, de viagem, residencial e empresariais de uma forma geral”, explica Luiz Carlos Gama Pinto, diretor da empresa, que trabalha com as grandes seguradoras do País, revendendo o seguro para o cliente e ganhando uma comissão.

“A Bancorbras arrecada o prêmio do cliente e repassa para as respectivas seguradoras. O cliente nos cota o seguro de automóvel, por exemplo, e a gente pesquisa nas diversas seguradoras parceiras qual é a melhor condição para o cliente e vende aquele seguro”, afirma Luiz Carlos Gama Pinto. No seguro apenas de automóvel, que é o principal seguro comercializado pela empresa, o crescimento foi de 45% comparando esses mesmos períodos. Dado mais significativo da empresa para analisar o mercado é o prêmio que se paga para a seguradora. No caso do seguro de automóvel, o prêmio cresceu no mesmo período 25,33% no total dos seguros. Levando em consideração todos os produtos que a Bancorbras comercializa, o crescimento foi de 17,84%. “Então você vê que realmente o segmento de seguros não está sendo afetado pela crise”, conclui Luiz Carlos.

De acordo com a Prudential do Brasil, que atua em Brasília desde 2013 na comercialização do seguro de vida individual, por meio dos corretores Franqueados chamados de Life Planner e de empresas parceiras, a crise econômica ainda não reduziu a demanda por seguro de vida individual na empresa. “A necessidade de ter um planejamento financeiro e familiar para proteger o segurado e sua família de imprevistos futuros é fundamental em qualquer momento. Os resultados da seguradora têm sido excelentes. A companhia apresentou um crescimento médio anual de 27% nos últimos 10 anos em volume de prêmios e, em 2014, o crescimento foi de 40%, atingindo o montante de R$ 715 milhões. Atualmente, a Prudential do Brasil conta com mais de 185 mil vidas protegidas no país”, explica Daniel Macchion, diretor regional Comercial & RCMO, responsável pelas praças do Rio de Janeiro, Curitiba e Brasília. No DF, a Prudential é líder em seguro de vida individual com 33,8% de market sharee. “Registrou um crescimento de 178% de janeiro a maio de 2015, em comparação com o mesmo período de 2014, de acordo com os dados da Superintendência de Seguros Privados”, destacou Daniel.

//Produtos Artesanais

Um dos setores que também foi contra a maré da crise é o de artesanato. Especializada em oferecer serviços e plataforma para artesãos, o Elo7 cresceu 127% no primeiro trimestre de 2015, em comparação ao mesmo período no ano anterior. A empresa gerou em 2014 cerca de R$ 170 milhões em vendas e projeta dobrar esse valor para 2015. Entre as razões que explicam esse crescimento estão: necessidade de aumento de renda e as formas que os profissionais encontram para driblar a crise, a desvalorização ocorrida com a industrialização e a produção em massa, a valorização do artesanal e a busca por produtos exclusivos e originais.

Segundo o CEO da empresa, Carl
os Curioni, com o investimento de US$ 11 milhões recebido no final de 2014, a plataforma tem investido em marketing e melhorias de produtos, incluindo o lançamento de aplicativos para as plataformas iOS e Android e a expansão da operação para a Argentina.  “O artesanato hoje é muito amplo e envolve até mesmo trabalhos com intervenções digitais. Vivemos um momento de revalorização do artesanal em contraponto à desvalorização ocorrida com a industrialização e produção em massa”, explica Carlos.

KATIA FERREIRA_FOTO RAPHAEL CARMONA-7799

“Para a gente enfrentar a crise, a gente tem que pensar”, é o que acredita a empresária da Apoena, Kátia Ferreira. A empresa, que existe há dez anos produz roupas femininas, com adição de ricos bordados.  “Antes a Apoena fazia só roupa bordada e depois resolvemos ampliar nossos produtos. Além de roupa bordada, produzimos roupas de seda, florais e não deixamos de atender ao público que gosta de produtos de qualidade. Há dois anos começamos a diversificar, ampliamos os produtos, com presentes, jogos de cama e brindes corporativos”, explica.

Outra novidade é que a marca está abrindo em agosto uma loja para venda no varejo em Brasília, já que a Apoena possuía 28 pontos de vendas apenas fora de Brasília. Ela acredita que as crises existem, mas das crises também saem novos modelos de negócios. “As pessoas me questionam o fato de estar investindo no momento da crise. Eu sempre falo que eu não estou nem aí para a crise. Minha função não é gerenciar crise. Eu já passei por crises até piores do que essa, porque eu não tinha a expertise e não estava preparada para o negócio como eu estou hoje. Conhecimento é uma ótima ferramenta para a gente combater a crise. Tenho vários canais de busca de conhecimento”, ensina.

Para tanto, Kátia busca parcerias para alavancar seu negócio. Por meio dessas parcerias ela consegue seguir adiante. “Participo de um programa com a Embaixada dos Estados Unidos, que eles escolhem mulheres com grande capacidade empreendedora, fiz curso em quatro estados nos EUA, Nicarágua, Chile e, em julho viajei para Nairobí, para um encontro de mulheres empreenderas – que é de capacitação e de busca de investidores. Estou buscando um investidor, pois estou com mais uma ideia de negócio”, conta. A empresária alugou uma sala e comprou um equipamento com custo de “três dígitos e sem financiamento”, para oferecer serviços de modelagem.  “Para isso investimos também em um profissional qualificado. Com esse equipamento fazemos o material para nós, mas sobrará tempo também para vender o serviço, que é uma dificuldade nas grandes empresas”, explica.

Kátia busca não ver apenas a dificuldade em gerir seu negócio. “A gente vê de que maneira pode se beneficiar de alguma dificuldade do mercado. Compramos mais um equipamento para fazer logos, etiqueta bordada e investirmos no segmento de brindes corporativos. Que é um mercado muito bom aqui em Brasília”, avalia.

“A Apoena curiosamente é um negócio social, em que a meritocracia não está só no lucro. Não ficamos só correndo atrás do dinheiro. Corremos atrás de trabalho que dá lucro. O dinheiro é consequência do tanto que a gente trabalha”, assegura. São ao todo sete funcionários e uma parceria com cerca de 100 costureiras, que ficam em São Sebastião, e recebem qualificação para bordar, costurar e consertar peças.

Quando iniciou a Apoena, Kátia percebeu a necessidade de as pessoas terem uma renda. “Essa necessidade é muito grande. A vida é difícil para todo mundo, mais ainda para as mulheres. Pensei que elas podiam ter uma renda, sem precisar sair de casa”, aponta. 

“Uma coisa é certa, sem comprar ninguém vive. A questão é que esse cliente está disputado. Então você tem que fazer melhor e mais por ele. Tudo o que o cliente quer a gente descobre e fabrica”, conta.  E ensina. “O segredo se chama gestão de pessoas. Uma boa comunicação. O que nós fazemos e queremos que os funcionários entendam é que eles é que fazem parte e que   quando o nosso negócio melhora, a vida de todo mundo melhora. O negócio precisa ter um profundo respeito pelo ser humano, de quem te ajuda a realizar seus sonhos. Eu penso no outro e quando você pensa no outro, ele colabora mais com você”, finaliza.

// Parceiros e novas lojas

A costureira Maria Ivaneide Silva já está há 10 anos na Apoena. Ao contrário das estatísticas ela não endossou a fila de desempregados com a crise econômica. “Trabalhar aqui é muito bom, porque além de ajudar no sustento da família estou ajudando outras pessoas”, revela Maria que auxilia as mulheres bordadeiras no espaço da Apoena do Recanto das Emas. Sobre a crise, a costureira nem sentiu. “Eu acho que para a gente está pintando mais trabalho, eu não senti ainda os efeitos da crise”, conta.

Quem também está feliz é o modelista Felipe Ferreira. Ele mudou de emprego, está morando em um lugar melhor, tudo em meio ao turbilhão da crise econômica. “Estou indo contra (a crise). Esse ano fui chamado para trabalhar bem na crise e resolvi mudar de emprego. Mas eu prefiro lutar por uma coisa que eu acredito, que eu realmente gosto e que acreditei desde o começo, vejo pessoas ao meu redor sofrendo, mas graças a Deus estou bem tranquilo”, garante.Bruna Vasconi_Peca Rara - Fotos Raphael Carmona-8010

Um dos reflexos da crise é o fechamento de lojas no comércio. Além da Kátia, da Apoena tem mais empresário que planeja a abertura de uma nova loja. A empresária Bruna Vasconi, do Brechó Peça Rara possui quatro lojas no DF, nas Asa Sul e Norte. Mas vai dar um passo maior, pois planeja expandir seus negócios para Águas Claras. A inauguração deverá ocorrer em outubro, em um shopping da região. “Não estávamos pensado em expandir no momento, mas um corretor fez uma proposta, com muitos atrativos que tornou interessante a abertura na região”, explica Bruna. Ela está otimista com a nova loja. “Apesar de estar mais distante, acredito que será bacana. Muita gente se desloca de Águas Claras para o Plano Piloto e depois da inauguração vai deixar lá mesmo”, ressalta.

A empresa ainda não sentiu os reflexos da crise. “A gente não considera que o Peça Rara está em momento de crise. Não deixamos de crescer nem retrocedemos, diferente de outras pessoas que sentiram bastante ou um pouco. Não crescemos absurdamente, mas continuamos crescendo”, aponta Bruna. Ela está investindo em um site e nas redes sociais para estimular ainda mais o negócio. “Estamos reformulando o site e vamos lançá-lo junto com a abertura da loja. Há três meses pude dar mais atenção ao Instagram e vejo que aumentou a resposta em relação ao cliente, por isso quero divulgar mais” conta.

Para gerir a empresa Bruna conta com o auxílio da família. Ela inicialmente abriu a loja com a mãe, com o dinheiro emprestado pela avó. Hoje sua mãe, seu pai e seus dois irmãos estão à frente dos negócios. “Não sou sozinha , e isso ajuda muito. O empresário sozinho tem mais dificuldades, dá realmente um pouco de medo, mas a gente se completa – se ajuda, dá força. Vamos pensando e as coisas vão se encaixando e seguimos adiante. Acho que é do empreendedor  e a pessoa que não tem espírito empreendedor não sai do lugar, temos que arriscar, porque não dá para prever tudo”, ressalta. São ao todo 45 funcionários. “Isso mexe com a gente, tenho 45 famílias que dependem no nosso negócio. Temos um compromisso social que é muito mais amplo. Não somos só uma loja de produtos usados mais baratos. Há algumas coisas na base, no alicerce e por isso que tiramos essa coragem e arriscamos”, conclui.

// Ajuda especializada
Para fugir de crises e aprender a superar momentos difíceis em seus negócios, alguns empresários buscam ajuda especializada por meio de consultorias, treinamentos e capacitação profissional. De acordo com Ana Paula Amaral, diretora da Governanzza Corporativa, empresa de consultoria, no mundo atual o que manda é a inovação. “Quem não conseguir inovar, fica para trás. Inovar não é só criar produto novo, mas inovar no que se faz hoje e fazer melhor a cada dia, inovar a técnica, a forma de conduzir o negócio”, explica.

De acordo com Ana Paula, para o empresário passar por uma crise ele tem que, além de inovar, ser criativo, treinar a equipe, ser resiliente, ter muita flexibilidade e, principalmente, ser humilde. “A humildade é a chave, porque se você não conseguir ouvir o que estão falando para você, você não vai ter mais uma ferramenta para pensar. O que você vai fazer? Você vai decidir só com o que você pensa. Você não colhe informação aqui, ali, não ouve o faxineiro, que seria imprescindível”, explica ela.

Em seu trabalho de consultoria, Ana Paula procura descobrir primeiro qual é a necessidade do cliente, se é um problema da equipe que não está trabalhando bem, se não consegue produzir o que o empresário espera, se não atende bem o cliente, entre outras possibilidades. Detectado o problema, ela leva uma solução, pensa no curso ou no treinamento mais adequado para a situação exposta. “O empresário precisa fazer a casa funcionar e aí vai aos trancos e barrancos, só apagando incêndio. Então, você tem as falhas para depois ir consertando. Esse é o ponto. Normalmente quando o empresário me chama ele quer uma mudança de comportamento”, destaca.

Fernando Luz, sócio-proprietário do restaurante Peixe na Rede de Águas Claras, buscou ajuda da consultoria de Ana Paula poucos meses depois de inaugurar o estabelecimento, há dois anos e meio, quando a procura pelo restaurante ficou intensa e os clientes passaram a reclamar do atendimento. Aos fins de semana, a fila de espera chegava a 400 pessoas. “O que a gente percebeu é que a gente tinha uma comida de primeira, saborosa, farta, saudável – porque é à base de tilápia, tínhamos uma clientela de Águas Claras ávida por serviços na própria cidade, nosso preço é bom. Porém, o atendimento estava fraco. A qualificação do nosso pessoal não era boa. Então recorremos à empresa da Ana Paula para nos ajudar a qualificar o pessoal”, explica.

Ana Paula_Governanzza Corporativa - Fotos Raphael Carmona-6730

O empresário investiu no treinamento de toda a equipe, dos garçons, atendentes, passando por gerente, subgerente e chef de cozinha. Ele e a esposa, Cristiane Fleury, que também é sócia do restaurante, passaram por treinamento. “Contratamos também uma empresa de manipulação de alimentos porque a qualidade é fundamental para atender às pessoas”, afirma. “Se não tivéssemos investido em treinamento, com o apoio de consultores, a gente corria sérios riscos sim de estar oferecendo um serviço ruim. Dois anos e meio se passaram e hoje temos uma equipe afinada, que suporta o movimento dos sábados, domingos e feriados de uma maneira bem bacana”, destaca.

Em relação à atual crise econômica, Fernando diz estar preparado por já ter passado por todo o processo de treinamento de pessoal e de orientação feito pela Governanzza. “Apesar de ter um restaurante consolidado, uma clientela fiel e funcionários treinados, a gente está sentindo a crise, mas em termos gerais, a crise de confiança do empresário na economia e o fato de que a inflação subiu muito. Então hoje a crise mudou o foco. No meu caso, não é mais um treinamento adequado, um atendimento de qualidade e sim tentar escapar da inflação, do crédito mais curto, do dinheiro mais curto no bolso das pessoas que estão evitando gastos que consideram supérfluos”, explica. “Trabalhar quando o vento está soprando a favor é ótimo. Mas é difícil trabalhar quando o vento está contra. Você tem que estar adaptado. E nesse caso, quando a gente se preparou com a ajuda da Ana Paula, a gente, sem saber, estava se preparando para essa crise”, diz.

Ana Paula diz que não há uma receita específica para o empresário superar uma crise econômica, mas o primeiro passo para passar por ela é não se desesperar. “Ninguém pode ficar desesperado em um momento como esse porque se não a gente fica no meio da crise. Temos que conseguir enxergar a crise com olhos de quem está vendo de cima”, ensina. O empresário deve também traçar as metas, os objetivos e os valores da empresa. “Se a gente tem bem forte os valores da empresa e sabe porque ela existe e para onde ela vai, nada vai atrapalhar a empresa. Ela vai continuar crescendo. Só não vai no mesmo ritmo que ela pretendia ir. Mas não pare. Meu conselho é: siga em frente. Não pare de jeito nenhum. Os problemas virão e a gente vai ter que repensar como fazer, vai ter que diminuir o ritmo, mas não vai parar. Tem um obstáculo ali, mas a gente tem que continuar andando. Esse é o meu conselho. E para os que não tem s objetivos claros e definidos, que faça. Quando a gente sabe onde a gente quer chegar, nada impede a gente”, conclui Ana Paula.

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