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Comércio 24 horas está cada vez mais raro no DF

Foi-se a época em que encontrar o comércio aberto durante a madrugada era comum no Distrito Federal. Tente listar os estabelecimentos que ainda funcionam 24 horas. Conseguiu? Pois é, com a baixa procura, o risco de assaltos e a falta de transporte público acabam por agravar a situação de quem precisa utilizar serviços depois do horário comercial. Para o empresário que funciona durante a noite, o desafio é prestar atendimento apesar dos riscos para manter a clientela que depende de horários alternativos. A realidade é que o tempo continua curto para muitos e deixar as portas abertas durante a madrugada chega a ser uma utilidade pública.

Para o presidente da Fecomércio-DF, Adelmir Santana,  a insegurança é uma das preocupações que ameaça o aumento do comércio 24 horas. “Brasília é uma cidade muito peculiar, as áreas são descentralizadas o que torna mais difícil poder pensar que um dia teremos uma versão da Avenida Paulista ou das capitais europeias por aqui. A nossa cultura por consumir à noite também é pouco comum. A Lei do Silêncio e a Lei Seca também inibem a atuação de empresários durante a madrugada. Mas a falta de segurança acaba sendo um dos maiores problemas em uma cidade em que cada um fica em seu núcleo. Por outro lado, alguns preferem e precisam investir neste mercado e conseguem lucrar com a economia noturna”, afirmou.

Dados da Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social apontam que de janeiro a setembro de 2015 foram registrados 1.964 roubos ao comércio. Segundo o capitão Michello Bueno, da Polícia Militar do DF, os patrulhamentos são realizados 24 horas por dia e houve uma redução de 37,2% no número de casos com relação a 2014. “Todos os dias apreendemos uma média de sete armas e detemos 130 pessoas, o que tem ajudado. Nos roubos e furtos de madrugada, o empresário deve ter atenção redobrada e investir em sistema de segurança”, explicou. Para conter a criminalidade no comércio, o empresário tem a possibilidade de instalar o Serviço de Monitoramento e Acionamento Policial Imediato (SMAPI) que é uma espécie de botão de pânico que ao ser pressionado a PM promete chegar entre 2 e 3 minutos.

No quesito barulho, o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), órgão responsável por fiscalizar os ruídos na cidade, recebeu desde janeiro mais de 1,3 mil reclamações sobre poluição sonora. Durante a madrugada o limite permitido na área comercial é de 55 decibéis. O número equivale a uma conversa normal. As penas aplicáveis para aqueles que excedem os limites estabelecidos são: advertência, multa, interdição parcial ou interdição total do estabelecimento. Um risco que os empresários não querem correr.

Na opinião do presidente do Sindicato do Comércio Varejista do Distrito Federal (Sindivarejista), Edson de Castro, a economia não pode parar, nem durante a madrugada. “É um setor que gera empregos e renda, além de bons serviços à sociedade. Entretanto, de fato, a insegurança é a principal causa do fechamento de várias lojas de conveniência, lanchonetes, bares e restaurantes. Esperamos que o Governo do Distrito Federal reveja e reforce o seu esquema de segurança em todo o DF. Temos hoje mais de duas mil lojas fechadas na capital e um dos motivos é a falta de segurança. Além disso, sabe-se que, depois da 1 hora da madrugada, o transporte público inexiste”, defendeu.

// Abastecimento noturno

Os postos de combustíveis são alvo de inúmeros assaltos. Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do Distrito Federal, é cada vez mais preocupante manter os estabelecimentos abertos durante a noite. Cada posto decide como deve ser o seu horário, porém respeitando, no mínimo, portaria da Agência Nacional do Petróleo (ANP), órgão regulador e fiscalizador do setor de combustíveis no Brasil – que determina das 6h às 20h como horário padrão de funcionamento. Porém, são cada vez mais preocupantes as notícias e acontecimentos relacionados à segurança que nos compelem a fechar os postos e muitas lojas de conveniência à noite.

De acordo com o último levantamento da Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social do DF, de janeiro a outubro deste ano foram registrados 661 assaltos a postos de combustíveis no DF. De acordo com o presidente do Sindicato dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo do DF, Carlos Alves dos Santos, dos 322 postos do DF, cerca de 70% funcionam 24 horas. “Os trabalhadores que atuam nos postos correm risco sério de morte, pois mais da metade funciona durante a madrugada. Com isso, muitos bandidos se sentem atraídos para agirem à noite. Aqui no DF existe caso do mesmo posto ter sido assaltado mais de 20 vezes em um único ano”, alertou.

O proprietário do posto de gasolina no Setor Hoteleiro Norte, Sérgio Perrenoud Vignoli, está avaliando se vai continuar funcionando 24 horas. “Ter um posto funcionando ininterruptamente proporciona um atendimento mais completo para o nosso cliente. É um público muito diversificado, recebo uma média de 50 a 100 pessoas, a maioria de servidores públicos. Por ficarmos ao lado da maior delegacia do DF, nunca tive um assalto, o que é uma grande vantagem, mas não é o que ocorre normalmente em outros postos. Ainda estou pensando em continuar nesse horário por conta dos altos custos trabalhistas e com a segurança. Por enquanto ainda está valendo a pena”, relatou.

Para a advogada, Débora Leite, um dos maiores benefícios de poder abastecer o carro fora do horário comercial é contar com o serviço para qualquer emergência. “É muito importante ter estabelecimentos abertos durante a madrugada. É uma mão na roda para quem está saindo de noite ou precisa em alguma emergência. Outra coisa boa é não enfrentar filas, mas só procuro um posto que aparente ser confiável”, contou.

// Na outra linha

A rede de lanchonetes Subway conta com 30 lojas localizadas em postos de gasolina e em lojas de rua no DF. De acordo com o agente de desenvolvimento da empresa no Distrito Federal e Goiás, Leandro Batista, a quantidade de pontos não diminuiu e sim aumentou. “Durante a madrugada ganhamos mais visibilidade da marca, conseguimos aumentar o faturamento e o atendimento ao cliente. O público é jovem, entre 18 e 30 anos, que volta das baladas. A quantidade que circula é em torno de 35% em consideração ao público diurno”, revelou.

O franqueado da Subway em um posto de gasolina, Celso Murilo Dias Soares, confirma o crescimento de vendas no período noturno. “Somos uma alternativa de alimentação quando as opções se reduzem após as 22h. Nesta área ter comércio é essencial, esta é uma das partes mais boêmias da cidade, temos o Estádio Nacional na nossa frente. Quando tem atrações e eventos somos um ponto de apoio para alimentação. Acredito que nos lugares certos a cidade só tem a crescer com esse tipo de comércio, é um serviço de utilidade pública”, afirmou.

O ator, Leandro Baumgratz, que frequenta lanchonetes e restaurantes durante a noite acha fundamental a presença dos estabelecimentos para movimentar uma cultura noturna. “É muito importante ter sempre funcionando algum lugar para comer. Sempre frequento o comércio de noite, mas às vezes é difícil encontrar. Acredito que não vemos muitos estabelecimentos abertos devido à segurança e a cultura de Brasília, não sei se é a falta de público ou a falta de estabelecimentos que não gera público”, apontou.

// Saúde comprometida

 O Decreto nº 35.239 de 19 de março de 2014 regulamenta o horário e dia de funcionamento das farmácias no Distrito Federal. Segundo o documento, pelo menos 10% dos estabelecimentos são obrigados a funcionar 24 horas. O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do DF (Sincofarma), Francisco Messias, as farmácias ficam vulneráveis ao serem obrigadas a funcionar ininterruptamente apesar da insegurança. “Os estabelecimentos que ficam na região central ainda contam com mais segurança, mas as mais afastadas não têm a mesma sorte. Falta policiamento e muitas acabam fechando pelos constantes assaltos. Precisamos que o empresário se sinta seguro para manter o seu ponto aberto, ainda mais importante por se tratar da área de saúde”, explicou.

 Para o gerente regional da Farmácia Pague Menos, Wellington Araújo Souto, é muito raro ver policiamento durante a noite. “Ficamos muito vulneráveis e quando têm que fazer plantão os funcionários pedem para sair, é muito arriscado. Decidimos fechar às 22h, mas mesmo assim muitos funcionários ficam com receio da volta para casa. A rotatividade é muito grande. Hoje os clientes não se sentem seguros em parar o carro e acabam montando em casa farmacinhas para qualquer emergência. Funcionar 24 horas é muita exposição para a criminalidade”, citou.

O médico veterinário e proprietário de uma clínica na 508 Sul, Pérsio Montibello, relata que é sempre um risco atuar durante a madrugada. “Sou o plantonista da clínica e como se trata da área de saúde é preciso ter atendimento em casos de emergência. Em média atendo um paciente por noite, mas tenho animais internados que precisam de acompanhamento. A vantagem desta unidade é que fico ao lado de um supermercado que funciona 24 horas e movimenta um pouco a quadra, mas mesmo assim tive que instalar luzes mais fortes na porta de entrada, pois a iluminação pública não dá segurança ao cliente que chega de madrugada. Têm pessoas que me ligam pedindo para esperar na entrada. Eu tinha uma clínica também em Taguatinga, mas tive que fechar pela insegurança”, relatou indignado.

 // Contra a maré

 Já não é mais realidade voltar para casa depois do horário comercial. Grandes congestionamentos, mudanças na rotina do trabalho e estudos afetaram as atividades que antes eram realizadas em outros horários. Com o tempo curto, muitos optam por encher a geladeira e armários na madrugada também. A gerente de Marketing do SuperMaia, Nathalie Malkine, conta que das 15 unidades no DF, 13 são 24 horas. “O SuperMaia foi a primeira rede de Brasília que abriu 24 horas. Na época foi uma grande novidade.  Tínhamos promoções específicas na madrugada. Criamos uma identidade nesse sentido e no início tínhamos mais fila de madrugada do que de dia”, revelou.

“Recentemente, fizemos uma ação na madrugada, mil produtos a preço de custo de meia noite às 6h da manhã. Queremos realizar mais ações ainda neste ano. Tem valido a pena, boa parte de nossa concorrência deixou de operar 24 horas, uma parte em questão da segurança e porque as vendas às vezes não são tão expressivas, mas o cliente percebe isso como um serviço, um diferencial. Nós nos preocupamos em dar ao cliente a sensação de que eles estão seguros. Nesse sentido contamos com uma estrutura mais iluminada e se a pessoa quiser, temos um funcionário que acompanha até o carro. Em algumas lojas a gente não vende bebida alcoólica durante a noite para não se criar arruaça”, finalizou Nathalie.

// Beleza não tem hora

O empresário do Salão 24 Horas, Bruno D Lucca, percebeu que havia mercado para funcionar durante a madrugada. Ele começou em 2011 e hoje atua no Pistão Sul, em Taguatinga, e está inaugurando uma nova franquia. “O meu salão funciona próximo a duas universidades, o que me ajuda a receber muitos clientes à noite. Hoje realizo depilação, corte e muitas mulheres vêm aqui para fazer químicas porque não têm tempo de fazer durante o dia. Arrumo o cabelo de empresárias que têm que viajar 5h da manhã, gente do exército e do colégio militar que se esquece de cortar o cabelo de dia”, detalhou.

Bruno ressalta que busca condições para fornecer segurança ao cliente. “Aqui no meu salão tenho portão eletrônico, o cliente pode estacionar aqui dentro. Eu nunca fui assaltado e nem quero pagar para ver”, garantiu. O salão funciona em uma casa com seis quartos e uma equipe de plantão. Segundo o empresário, este tipo de comércio tem chances de ter mais sucesso no futuro. “Brasília é uma cidade muito nova e se já temos um salão 24 horas, imaginem como será em alguns anos?”, conclui.

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