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Aumentam iniciativas de revitalização no Setor Comercial Sul

O Setor Comercial Sul (SCS), conhecido pela grande concentração de prédios com os mais diversos tipos de negócios como escritórios, lojas de sapatos, roupas, restaurantes, lanchonetes, papelarias, copiadoras, laboratórios, entre outras empresas, sempre carregou a imagem de uma área marginalizada e sem segurança. Aos poucos, porém, essa imagem negativa de um dos espaços mais movimentados do centro da capital, onde circulam mais de 200 mil pessoas por dia, está ficando para trás. Festas, shows musicais e de dança, peças teatrais, juntamente com a revitalização do local, estão transformando o setor e levando pessoas a utilizar o espaço também durante a noite. São iniciativas para que partem da sociedade civil organizada e do próprio governo local.

Food Trucks SCS_RAP3569Frequentando o setor desde a adolescência devido ao trabalho do pai, Caio Dutra começou a trabalhar efetivamente no local em 2014 e ficava angustiado com a visão e preconceito que as pessoas tinham. “Sempre marcava reunião aqui e o pessoal não queria vir, reclamava que não tinha vaga, era inseguro, um monte de problemas, sendo que o SCS é o lugar mais acessível do DF: tem uma rodoviária ali embaixo, uma parada de ônibus na W3, outra na Galeria dos Estados, além da estação do metrô. Então é um lugar acessível e estratégico”, destaca.

Com os amigos Philipe Daher e Raphael Sebba, ele criou o Coletivo Labirinto, que desde o ano passado promove ações para levar cultura ao SCS. “Brasília é a capital do País e recebe tomadores de decisão do mundo inteiro, o tempo inteiro. Imagina se os principais projetos de desenvolvimento da cidade estivessem aqui, as festas mais legais estivessem aqui, os melhores restaurantes, que visibilidade íamos ganhar do mundo inteiro para explorar a nossa cultura, para falar sobre Brasília e o Brasil. A nossa dinâmica é essa. Existe uma imagem sobre o SCS que queremos transformar, fazer com que as pessoas olhem para esse espaço e tenham o prazer de frequentar”, explica ele.

O Coletivo surgiu efetivamente com a realização do Samba da Mutamba, primeiro evento autorizado pelos órgãos responsáveis, realizado em maio de 2016. Depois, foram mais 14 eventos e festas que reuniram entre 800 e 1300 pessoas. Além das festas, o coletivo se preocupa também em revitalizar o local e com o envolvimento social das minorias. “O Coletivo iniciou um trabalho com o pessoal da revista Traços, que já convive e entende os moradores de rua da região. Queremos que eles trabalhem nas nossas festas ajudando nem que seja na limpeza. Deram ideia de colocarmos só um colete para eles olharem os carros da maneira que sempre olham, para dar segurança a quem está indo para a festa. É um reconhecimento ao trabalho que já realizam”, afirma Sebba.
// Investimento no setor
Desde dezembro de 2016, o setor conta com o Espaço Cultural Canteiro Central, que realiza e promove os mais diversos tipos de atividades, como shows, festas e teatro. “Como espaço cultural, a ideia é que funcione todos os dias da semana com café, bar e happy hour para dar um suporte ao trabalhador aqui da área”, explica o empresário e produtor cultural Pablo Feitosa Nunes Amorim, que é um dos sócios do espaço. A estrutura do Canteiro Central pode ser utilizado também para realizar reuniões de grupos culturais, atividades sociais, fóruns, entre outros. “Dependendo da atividade, o acesso ao local é gratuito. Quando existe a necessidade de uma equipe trabalhando e temos um custo, isso é avaliado”, destaca Pablo.

“Nossa primeira atividade foi a festa de abertura do Festival de Cinema Curta Brasília. Estamos adequando as agendas e vendo dias e horários de funcionamento para que essas atividades possam acontecer”, afirma Pablo, lembrando que a agenda da casa já está cheia. “Estamos correndo com a melhoria do local. A casa tem funcionado quatro, cinco dias por semana, com atividades culturais”, informa. Às segundas e quartas é possível fazer aula de ioga. As terças-feiras, de 9 de maio a 19 de dezembro, estão fechadas para cinco grupos teatrais de Brasília, com o projeto Teatro Bar. “Tenho jazz na segunda, teatro na terça, quarta-feira tenho reserva para algumas festas particulares”, diz.

Pablo afirma que a ideia de criar o Canteiro Central surgiu da carência de um local para esses tipos de atividades em Brasília. “Durante o dia o SCS é impossível em termos de estacionamento, mas a noite não, o estacionamento é farto, seguro, as ruas estão muito claras e abertas, o índice de violência aqui registrado nos dias de atividades é muito pequeno em comparação às outras regiões da cidade”, afirma. “Nós que somos os parceiros da casa estamos muito felizes com esse retorno, de estarmos investindo no SCS e tendo um retorno muito bom do público. Aqui tem espaço e cabe ainda muita coisa. Quanto mais comércio como o nosso, voltado para esse ramo gastronômico e cultural tiver no Setor Comercial, melhor para o local, melhor para os comerciantes e para a população, que só tem a ganhar”, conclui.

// Quinta Cultural
Todas as quintas, até final de setembro, o público que passar pelo Setor Comercial Sul terá a oportunidade de participar da segunda edição do projeto Quinta Cultural, das 12h às 23h, no estacionamento em frente ao Pátio Brasil. O projeto é uma iniciativa da Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, realizado por meio da Secretaria-adjunta do Trabalho para reunir food trucks, food bikes, com gastronomia diversificada e música de artistas e bandas locais com o objetivo de ocupar e revitalizar espaços públicos da cidade.

“Na verdade, a Quinta Cultural nasceu de uma iniciativa do governo, uma ação chamada Centro Legal, no início de 2016. Vários órgãos se reuniram, coordenados pela Casa Civil, para revitalização e requalificação do Setor Comercial Sul como um todo, sobretudo à noite. Como existia uma dificuldade muito grande de mobilizar alguma movimentação no período noturno, nossa secretaria se dispôs a fazer isso usando os food trucks”, explica Thiago Jarjour, secretário adjunto de Trabalho, destacando que em 2016 foram realizadas 24 edições da Quinta Cultural, por onde passaram aproximadamente 10 mil pessoas. “Foi um sucesso absoluto, muito maior que nossa exectativa. Primeiro porque muitas pessoas não acreditavam que a população teria coragem de ir ao SCS à noite. Era uma média de público de 400 pessoas por quinta-feira. Teve quinta que deu 700 pessoas. Foram umas três assim. O que mais surpreendeu foi que, além do público ter comprado a ideia, ter gostado, passou a apoiar”, afirma.
// Revitalização
A revitalização do setor teve início no final de 2015 com o Projeto Centro Legal. De acordo com a Administração Regional do Plano Piloto, foram realizadas obras de melhoria na iluminação de todo setor e revitalizadas diversas calçadas de concreto e de pedras portuguesas. A praça central, próxima ao BRB, foi revitalizada. Houve ainda a melhoria no trânsito, com a inversão de vias, além de projetos culturais como o 1º Arraiá do SCS e o Quarta Musical. Para esse ano não há previsão ainda do retorno deste projeto. Além da Administração Regional do Plano Piloto, Estão envolvidos órgãos como SLU, Novacap, Detran, Segeth, Secretaria de Segurança, Agefis, CEB, entre outros. Segundo a Administração Regional, essas ações acarretaram o aumento da segurança do local, sendo possível observar uma redução substancial no tráfico de drogas e no número de homicídios.

Mesmo com tantas ações, alguns comerciantes e trabalhadores ainda consideram a falta de segurança como uma das principais preocupações. Lucélia Santos, de 33 anos, trabalha há quatro meses na lanchonete Sandubas Café, localizada na Quadra 6. Moradora da Asa Sul e frequentadora do setor também como opção de lazer, ela acredita que o ideal seria o governo investir em mais segurança e iluminação. “Acho bacana esses projetos serem realizados porque aqui é praticamente o centro de Brasília. Mas acho que essas iniciativas deveriam vir com um pouquinho mais de segurança, porque aqui falta. Se acontece um roubo ou furto é muito difícil achar um policial ou alguém que possa te ajudar”, afirma, destacando que a lanchonete onde trabalha tem que fechar às 17h30 por causa da falta de segurança. “Minha relação com o SCS não é só trabalho e lazer. Quando preciso de qualquer coisa encontro tudo aqui perto, como o Hospital de Base e muitas lojas”, conclui.

Maria Dias, proprietária da sorveteria Amor Gelado, localizada na Quadra 1, apoia as iniciativas para levar mais movimento ao setor onde trabalha desde outubro de 2016. Apesar da loja já ter sido roubada duas vezes, ela destaca que policiais passam constantemente em ronda. “Ainda não vi esses projetos culturais que acontecem no SCS porque fico muito presa na loja, correndo o dia inteiro. De qualquer forma, a iniciativa é legal. Tudo o que é feito para melhorar o lado dos comerciantes, dos clientes e das pessoas que vivem em situação de risco é válido”, diz ela.

De acordo com Marcelo Durante, subsecretário de Gestão da Informação da Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Paz Social do DF, o controle social é fundamental para promover o controle da criminalidade. “Primeiro você melhora o ambiente e tem que fazer com que a população use esse ambiente, porque à medida que você promove esse uso pela população, você inibe a estadia dos criminosos”, afirma. Segundo ele, entre as ações promovidas pelo projeto Centro Legal, realizadas pelos diversos órgãos do governo, que contribuíram para a redução da criminalidade no SCS, destacam-se o aumento do efetivo policial e a melhoria na iluminação pública. “Tem que ser uma ação conjunta porque a polícia atuando sozinha promove o deslocamento da criminalidade”, explica.

A Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social destaca que, por conta da revitalização do Setor Comercial Sul houve redução em diversos tipos de ocorrências. Em 2016, por exemplo, não foi registrada nenhuma ocorrência de homicídio, enquanto que em 2015 foram nove homicídios. As ocorrências de flagrantes pela polícia de tráfico, uso e porte de drogas teve uma queda de 47,6% em relação a 2015. Foram registradas 100 ocorrências de tráfico de drogas em 2016, enquanto em 2015 esse número foi de 191. Em relação ao uso e porte de drogas, foram 107 ocorrências em 2016 e 266 em 2015, ou seja, redução de 59,8% se comparado os dois anos. Também em 2016 foram registradas 142 ocorrências de roubo a pedestres e apenas duas de roubo em comércio.

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