A criatividade da capital

Francisco Maia, Presidente do Sistema Fecomércio-DF (Fecomércio, Sesc, Senac e Instituto Fecomércio)

O Brasil comemora neste 21 de abril os primeiros 59 anos de Brasília, sua jovem e cada vez mais bela capital. Nestas quase seis décadas, Brasília se desenvolveu a ponto de se tornar a terceira metrópole do país em população. E, nesse processo, cresceram também os desafios, que já eram enormes. Esplendidamente espalhada no Planalto Central, entre o azul do céu do cerrado e seu reflexo no espelho d´água do Paranoá, Brasília é casa de 3 milhões de brasileiros e estrangeiros, os diferentes rostos que dão cor à nossa diversidade, enriquecem a cultura local e delineiam nossa identidade.

Entre os grandes desafios de nossa cidade está justamente a geração de emprego e de oportunidade de trabalho para as novas gerações de brasilienses. Com uma economia ainda fortemente dependente do setor público, Brasília tem buscado alternativas para diversificar a matriz econômica. E uma das grandes apostas está na economia e no turismo criativos, capazes de gerar resultados expressivos a curto prazo. O turismo criativo tem a cara de Brasília, cidade projetada para ser inovadora na essência. Nossa arquitetura monumental é a moldura ideal para a inquietude de jovens empreendedores, que se beneficiam da vocação natural da cidade como destino turístico inteligente.

Um dos aspectos que chamam a atenção nesse movimento é o surgimento, nos últimos anos, de eventos sazonais que já fazem parte do calendário da cidade e atraem turistas e mobilizam os moradores. Como o Na Praia, que durante os meses sem chuva reúne grandes atrações nacionais em uma praia artificial à beira do Lago Paranoá. Outros exemplos nesse sentido são o São João do Cerrado, nossa maior festa popular e uma das principais no país, o Carnaval no Parque ou o Brasília Capital Moto Week, maior encontro de motociclistas do continente, que tem vez anualmente na Granja do Torto. Eventos concebidos e estruturados em Brasília e ansiosamente aguardados pelos nossos setores de comércio e serviços.

São projetos que resultam em oportunidades de trabalho e renda para a população. Que aquecem a economia, pois lotam hotéis e restaurantes e fazem a cidade pulsar diferente. Temos uma infraestrutura invejável: aeroporto internacional, estádio padrão Fifa, excelente parque hoteleiro. E estamos no epicentro de uma região importante economicamente, impulsionada pelo agronegócio e pelas indústrias. Eventos internacionais, como festivais de música e outras manifestações culturais, têm tudo a ver com Brasília.

Acreditamos na economia criativa como propulsora de um novo salto para Brasília. É uma tendência mundial e, no Brasil, ela já representa 2,64% do PIB – no caso do DF, a participação é um pouco maior, 3,1%, atrás apenas de São Paulo e do Rio de Janeiro. A economia criativa é parte de um ciclo virtuoso: a cultura alimenta ideias que, por sua vez, geram projetos que empregam designers, costureiras, cineastas, fotógrafos, chefs, produtores, músicos, estilistas, arquitetos, tecnólogos. E o resultado disso é nossa cultura revalidada e enriquecida.

Brasília é jovem, mas é precoce: aprendemos rápido e amadurecemos mais e mais a cada dia. Difícil supor que outra cidade fosse alçada à condição de Patrimônio Cultural da Humanidade com apenas 27 anos de idade. Pois essa precocidade e essa vontade ir além são fundamentais para que a cidade desenvolva todo o seu potencial e cumpra seu destino grandioso. Afinal, mais Brasília é mais Brasil.

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