Desponta em Brasília um dos maiores exemplos de desperdício de dinheiro público e ineficiência administrativa da nossa história recente. É difícil acreditar, mas a cidade com um dos piores sistemas de transporte coletivo do Brasil possui, há quase duas décadas, cinco estações de metrô construídas mas nunca inauguradas. Três estão na Asa Sul e outras duas em Taguatinga e Ceilândia. Todas em áreas estratégicas, próximas a faculdades, condomínios e importantes vias do DF. Se estivessem funcionando beneficiariam mais de 100 mil pessoas. Mesmo assim, estão fechadas e se deteriorando na mesma velocidade em que o trânsito se transforma em um caos.

Chega a ser inacreditável o fato de que, em 19 anos, nenhum dos mandatários brasilienses tenha se preocupado em inaugurar o terminal da Estrada Parque, em Taguatinga. Como um gestor deixa cinco estações quase prontas se acabarem? A resposta está em uma das piores marcas da administração pública brasileira: a falta de continuidade de políticas e programas governamentais. Isso demonstra a pobreza intelectual, programática e estratégica que tomou conta da nossa política partidária, onde um governante não pode dar sequência a um trabalho bem feito, mesmo que isso traga benefícios para a população, apenas para não prestigiar ou privilegiar o antecessor.

É fazer oposição por oposição, sem compromisso com o bem estar social. Isso para não falar no desrespeito com o bem público. Devemos lembrar que o dinheiro investido nessas obras é do povo e deve ser fiscalizado com o maior rigor possível. Depois de tantos anos abandonadas, não duvido que o recurso necessário para recuperar essas estações seja o mesmo para construir uma nova. Algo que vem sendo reivindicado constantemente pela população, que mesmo pagando o bilhete mais caro do País nunca viu o metrô chegar até a Asa Norte ou as proximidades do aeroporto. A última estação inaugurada foi há sete anos. Definitivamente, o futuro não veio e o atraso pegou o metrô.

Adelmir Santana
Presidente do Sistema Fecomércio DF