A renovação da política brasileira depende de uma profunda mudança no sistema eleitoral vigente e de uma participação mais efetiva da sociedade. Não se repara nada sem substituir aquilo que está danificado. Da mesma forma, não se recicla algo sem se aprimorar o modelo em questão. Os nossos congressistas sabem disso e é por esse motivo que eles não farão a reforma política tão aguardada pela população. Os parlamentares não tiveram pressa em aprovar o fim das coligações ou a cláusula de desempenho. Tampouco lutaram para aprovar processos mais democráticos ou transparentes, capazes de mudar o marco regulatório atual. Eles estão focados apenas em facilitar as suas próprias reeleições.

Nada que vá além desse objetivo será feito. Em uma competição na qual o aporte de recursos será escasso e na qual as regras privilegiam as estruturas partidárias tradicionais com maior tempo de televisão e mais recursos, será muito difícil presenciar algo novo. Não por acaso, os congressistas tentarão nos próximos dias aumentar o valor do fundo partidário ou então aprovar a criação de um fundo com dinheiro público para financiar o pleito de 2018, pois sabem que isso será determinante para a vitória da velha política. Mostram assim, reiteradamente, como estão dissociados da realidade do País e da indignação da sociedade.

Resta-nos construir estratégias alternativas de renovação. Apesar dos obstáculos que o sistema impõe ao surgimento de novidades, a crise ética, política e moral favorece um ambiente de mudança, um desejo por gestores honestos e comprometidos com a causa pública. A população, por sua vez, precisará transformar esse sentimento anti-político em participação. Isso pode ser feito com a ajuda das redes sociais e também com ajuda das ruas, com ações e mudanças de comportamento. De qualquer forma, para mudar o Brasil precisamos nos unir em torno da nova política e acabar com os velhos métodos que corrompem e atrasam o País.

Adelmir Santana presidente do Sistema Fecomércio DF