Os brasilienses produzem cerca de 9 mil toneladas de lixo por dia. Resíduo que era depositado em sua totalidade no Lixão da Estrutural durante mais de cinco décadas, até o início de 2017. Com a inauguração do aterro sanitário de Samambaia, em janeiro, 30% do total de lixo produzido passou a ir para lá. O restante ainda é levado à Estrutural, onde passa por triagem dos catadores cadastrados. Mas estamos falando de um local que já deveria ter sido fechado há décadas. Na última quinta-feira, o GDF anunciou que a desativação total do Lixão da Estrutural será em outubro deste ano. Para isso, ao contrário do que havia anunciado, alugará quatro galpões, ao custo de R$ 30 mil mensais cada, para alocar os catadores. Cada galpão abrigará 140 catadores, que receberão os materiais recicláveis oriundos da coleta seletiva.

A questão passou a ser também social, pois há cerca de 2 mil famílias que sobrevivem da coleta de lixo e apenas 900 catadores foram cadastrados até o momento para receber bolsa de R$ 300 por mês. O governo deve lhes garantir uma alternativa. Mais do que isso, terá que rever processos para expandir a coleta seletiva das atuais 15 para as 31 regiões administrativas até outubro. A logística reversa é um dos instrumentos para aplicação da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos. O Senac-DF e o Sesc-DF implantaram em 2015, em todas as suas unidades, ações de logísticas reversa, previstas na Política Nacional de Resíduos Sólidos, como recolhimento e devolução para o fabricante dos cartuchos de impressora usados e lâmpadas queimadas, além de parcerias com cooperativas para o descarte de lixo eletrônico e lixo reciclável.

Sabemos que o caminho é longo, mas reduzir a quantidade de lixo produzida já é um bom início. E o mais importante, o brasiliense tem que se conscientizar de que é preciso separar para reciclagem tudo o que puder ser reciclado. O lixo que geramos é problema de todos.