Os brasileiros passaram a se preocupar muito com a honestidade e com a capacidade administrativa de um governador ou de um presidente. Há pelo menos duas eleições, esses atributos têm sido considerados pela maioria dos eleitores na hora de escolher seus representantes. A crise política e econômica vivenciada no Brasil hoje e nos últimos anos somente acentuou uma decepção e um descrédito em relação à classe política. Como resultado, a população refutará cada vez mais os candidatos considerados corruptos e ineficientes. O último levantamento do Instituto Datafolha confirma essa premissa no País. O mesmo pensamento também se repete em Brasília.

Para 87% dos eleitores, é muito importante escolher um presidente que nunca tenha se envolvido em casos de corrupção. Para 79%, ter experiência administrativa é igualmente importante. Mas como essa disposição não tem sido suficiente para evitar escândalos ou crises, muito eleitores chegam a considerar esse desejo, o de ter um candidato honesto e bom administrador, uma verdadeira utopia. A maioria acredita que é quase impossível governar sem se submeter à força dos partidos e sem se corromper para obter apoio. Essa descrença, contudo, apenas fortalece a busca da sociedade por um candidato que personifique o anseio por mais eficiência e justiça social.

A impressão, crescente em Brasília e no Brasil, é que as pessoas desejam um governador ou um presidente que seja comprometido com as necessidades da população, que tenha planos e capacidade demostrar resultados, que tenha experiência em gestão e ao mesmo tempo pratique novos métodos, que conheça profundamente as realidades locais e, por fim, que inove e apresente boas práticas e soluções. Os candidatos com essas características terão um currículo sintonizado com o País. Aventureiros e corruptos terão muita dificuldade em defender seus nomes quando a campanha começar. Esses últimos, efetivamente, não nos representam.

Adelmir Santana é presidente do Sistema Fecomércio DF