Brasília é uma cidade nova com aspecto de velha. Infelizmente, essa é uma afirmação verdadeira. Pior, é uma reclamação recorrente. Com apenas 57 anos, a capital federal está repleta de ruas esburacadas, pistas sem calçadas, monumentos abandonados e equipamentos públicos sem infraestrutura. Não é preciso fazer muito esforço para comprovar essa realidade. Temos casos tão emblemáticos da falta de conservação que chegam a nos envergonhar. O Teatro Nacional, por exemplo, está fechado e se deteriorando desde 2014. É simplesmente o maior conjunto arquitetônico de Niemeyer, um ícone da cultura brasiliense.

O Jardim Burle Marx, uma obra prometida para a Copa de 2014, no coração do Eixo Monumental, até hoje não saiu do papel. O local se transformou em um centro de drogas e prostituição. Como se pode deixar assim um lugar que leva o nome de um dos maiores paisagistas brasileiros? Falemos então de infraestrutura básica. Em Ceilândia, cidade onde administramos uma das maiores unidades do Sesc no Brasil, ainda existem avenidas principais sem asfalto e problemas, pasmem, de saneamento básico. Em Vicente Pires, a população costuma dizer que basta chover para levar o asfalto por água abaixo.

Da mesma maneira, faltam calçadas no Lago Sul que liguem as quadras finais à Ponte JK. Não é possível caminhar sem ter que passar pelo meio do mato. No Gama, o saudoso Cine Itapuã está aos pedaços. Em Taguatinga, o Teatro da Praça sofre com a falta de reformas. E no centro de Brasília, a famosa Galeria dos Estados vive uma era de escuridão e sujeira. Isso para não falar de escolas e hospitais públicos. É, no mínimo, uma falta de sensibilidade com a população e com a cidade. Certamente, o crescimento urbano impõe desafios para todas as metrópoles do mundo, mas é fundamental enfrentá-los com planejamento e medidas duradouras. Deixar de lado a conservação de uma cidade considerada Patrimônio Mundial não é falha administrativa, é descaso.