A população brasileira está descrente e insatisfeita com a classe política. Os motivos são óbvios e talvez nunca tenham sido tão evidentes. Os escândalos de corrupção, a má administração dos gestores e o sucateamento do Estado tem provocado no cidadão um profundo desalento frente à política. Pode-se afirmar que vivemos um momento crítico, talvez um dos piores em termos de decepção com o sistema vigente. Esse sentimento cresce no País e, não por acaso, é absolutamente perceptível em Brasília, onde as pessoas não têm uma experiência positiva do passado. Tampouco enxergam nas possibilidades presentes um caminho melhor para o futuro.

Essa frustração decorre de anos de fisiologismo, patrimonialismo, demagogia e inoperância. A maioria dos governadores eleitos em Brasília esteve envolvida em escândalos de corrupção. E mesmo os que não se envolveram não foram capazes de concluir um mandato bem avaliado. Na Câmara Legislativa a situação chega a ser pior. O Parlamento possui uma imagem ainda mais desgastada. Assim como no caso dos governadores, a Casa teve muitos representantes presos e nunca conseguiu construir uma relação com o Executivo que não fosse pautada pelo toma lá da cá, se tornando ainda muito famosa por produzir leis inconstitucionais.

É claro que nem todos desempenharam mal suas atividades. Mas o exemplo da grande maioria faz com que a população fale em escolher entre o menos pior. Ou então nem queira sair de casa para votar. O cidadão não se reconhece nesses representantes. O brasiliense que estuda, trabalha e se esforça em suas profissões considera a classe política mal preparada. De fato, quais dos nossos governantes procuraram se especializar em seus ofícios a serviço da administração pública? Desse jeito, o reflexo da categoria não poderia ser outro. E o pior de tudo é que as pessoas bem intencionadas estão se afastando da política. Isso só impede a alternância de Poder e nos mostra qual caminho não devemos seguir.

Adelmir Santana é presidente do Sistema Fecomércio-DF (Fecomércio, Sesc, Senac e Instituto Fecomércio).