Os brasileiros costumam condenar os escândalos eleitorais da mesma maneira que recriminam a grande corrupção pública. Mas será que a população também considera como compra de voto, por exemplo, quando para apoiar determinado candidato um eleitor reivindica emprego, regularização de lote ou vantagens para sua família? A verdade é que muitas pessoas sequer enxergam neste comportamento um desvio. Baseiam suas escolhas em função de benefícios ou oportunidades que podem vir a obter, colocando os interesses individuais acima dos coletivos. O voto, então, passa a ser usado como moeda de troca.

Essa percepção de parte do eleitorado de que para votar em alguém é preciso receber vantagem pessoal tem se transformado em uma conduta quase natural no Brasil, evidente nos mais diversos segmentos da sociedade. Ao aceitar participar de um esquema corrupto para não ficar de fora de uma licitação, um empresário não está pensando em ninguém a não ser nele. Ao rejeitar uma reforma que pode mudar a política, mas atrapalhar sua reeleição, um parlamentar está focado apenas na sua sobrevivência. E ao abandonar a justiça social e o interesse público, um governante não está do lado do povo, mas de seus interesses pessoais.

Vivemos o que muitos estudiosos têm classificado como a era do individualismo. E assim como a pequena corrupção parece ser tolerada pela grande maioria, condutas individualistas também têm sido encaradas como naturais. Mas no final do processo, o efeito nocivo dessas práticas é muito semelhante, sobretudo quando são capazes de envolver e atingir todos os brasileiros. As corrupções, em suas diversas formas, se retroalimentam. Da mesma maneira, governantes populistas, políticos corruptos e empresários inescrupulosos são sustentados uns pelos outros e amparados por aqueles eleitores que colocam os seus interesses particulares acima dos interesses da maioria. É preciso pensar diferente. É preciso mudar.

Adelmir Santana é presidente do Sistema Fecomércio-DF.