Brasília sempre foi considerada uma cidade alegre, com os seus moradores convivendo em harmonia com os empreendimentos e atividades culturais. Os comércios das quadras do Plano Piloto, particularmente, foram criados para abastecer a região com artigos de primeira necessidade. E alimentação e cultura entram muito bem nessa lista de itens essenciais para a vida em sociedade. Não faz sentido, portanto, que uma legislação inexequível prejudique o desenvolvimento econômico e social brasiliense, com o argumento de que é preciso fazer silêncio.

Uma coisa é impor limites ao barulho, algo perfeitamente compreensível. Outra é proibir conversas, sons ou manifestações artísticas. Isso não é falar baixo, é amordaçar uma cidade inteira, não faz sentido. Enquanto habitantes de Brasília, devemos defender o bom senso. Por isso, eu acredito que o caminho para aperfeiçoar a Lei do Silêncio, em análise na Câmara Legislativa, passa pela compreensão e pela negociação. É possível, sim, estabelecer limites sonoros que não prejudiquem os moradores das quadras residenciais, assim como os ambientes de música ao vivo devem buscar equipamentos que evitem a propagação do som. Esses limites podem ser definidos em conjunto, em audiências públicas.

Mas não se pode proibir que os bares e restaurantes tenham música ou atrações artísticas, pois essa é a finalidade de muitos e esses estabelecimentos estão localizados em áreas comerciais, gerando renda, emprego e serviços para todos, sem distinção. Independente se a pessoa gosta ou não de arte e cultura, é sempre bom lembrar isso, o comércio não descrimina ninguém. Da mesma forma, o limite sonoro estabelecido não pode ser o de uma mesa cheia de clientes, é necessário ampliar a tolerância aos decibéis estipulados hoje para termos uma lei equilibrada. Caso contrário, aquela capital alegre realmente ficará no passado. Brasília será uma cidade sem vida. Ninguém deseja isso, não é mesmo?