Nenhuma categoria profissional, organização classista ou reivindicação pode estar acima dos interesses da coletividade. A greve dos metroviários, em Brasília, da forma como foi orquestrada, representa uma afronta a todos os brasilienses. Fazer greve é, sim, um direito constitucional desde que os limites legais sejam respeitados. Paralisar o metrô totalmente é um ato de violência contra a população, sobretudo, tendo em vista que o sistema de transporte público no Distrito Federal é precário e milhares de pessoas não têm outro meio de locomoção para trabalhar, estudar ou ir para casa.

Chama a atenção também o fato de as autoridades demorarem a reagir, como se fosse apenas mais uma paralisação. Não é. Uma greve que ultrapassa duas semanas e implica na suspensão total de um serviço essencial durante cinco dias pode ser encarada como ação criminosa. É preciso ampliar o debate sobre essas manifestações e estendê-lo a outras entidades, como o Ministério Público e a Ordem dos Advogados do Brasil. A Justiça do Trabalho até tenta estabelecer multas e percentuais de circulação das frotas, mas as decisões são constantemente desrespeitadas. O governo local, por sua vez, parece inerte frente ao problema. Desse jeito, a população fica de mãos atadas.

Não podemos esquecer que esses atos radicais de paralisação prejudicam, principalmente, a população mais carente da cidade, que depende do sistema de transporte coletivo para se locomover, além de criar um impacto negativo na economia local – que não funciona sem trabalhadores e consumidores – e no trânsito de Brasília, que se transforma em um verdadeiro caos. Se as multas trabalhistas não estão surtindo efeito contra os abusos cometidos, é o caso de se pensar em penas mais severas. Só não podemos aceitar que a população seja prejudicada pelo radicalismo de um pequeno grupo. Os metroviários devem buscar outras formas de protesto que não impliquem nessa violência contra os brasilienses.

Adelmir Santana é presidente do Sistema Fecomércio-DF (Fecomércio, Sesc, Senac e Instituto Fecomércio)