A onda de food trucks em Brasília veio com tudo e teve seu auge em 2014, quando a cidade chegou a ter quase 200 caminhões circulando. De acordo com o presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília, Jael Antônio da Silva, esse número caiu bastante depois da regulamentação. “Muitos fecharam seus negócios. Acredito que hoje tenha por volta de 90 em funcionamento”, comenta. A Lei nº 5.627, de 15 de março de 2016, veio para estipular as regras sobre onde estacionar, a licença de funcionamento, entre outros. Alguns empresários foram na contramão dos empecilhos gerados pela regulamentação. Garantem que estão alavancando a empresa e perceberam que a loja física seria um grande passo para crescer.

Vinnys_RAP9364O empresário Vinícius Soares Campos estava em busca de uma nova profissão e como gostava de cozinhar, recebia elogios da família e amigos em eventos pessoais, em 2015 resolveu comprar o primeiro food truck. Vinícius conta que precisou vender um carro e até um apartamento para começar seu negócio. Com o sucesso do Vinny’s Pizza nas ruas, o crescimento veio em 2016, com a oportunidade de obter o segundo caminhão. Em sociedade, a empresa então expandiu os negócios para uma loja física.

“No começo deste ano, veio a ideia de crescer e vimos que não teria espaço para mais um food truck. Em conversa com pessoas que queriam investir, abrimos a loja física. Estávamos vendendo muito bem e a possibilidade de falar da loja física veio nesse auge”, comemora. A única dificuldade encontrada pelo empresário foi no planejamento que ultrapassou o esperado. “Foram sete meses de obras, negociação com aluguel e nos descapitalizamos muito”, pondera.

Quanto aos clientes, Vinícius conta que é bem diferente. O público é mais exigente na loja física. Exige um melhor atendimento. “Percebi que não podemos errar. As pessoas tendem a entender que a operação na rua pode acontece algum imprevisto. Acaba um gelo, um refrigerante. Mas na loja, uma pequena falha vira um grande problema, principalmente nas redes sociais”, explica. Outra curiosidade é que, segundo o empresário, 30% do público passou do food truck para loja. “Eles acharam mais confortável. Sinto que acabamos perdendo um pouco do faturamento no caminhão. Ainda estamos aprendendo a navegar”. Para o futuro, ele pretende apostar no ramo de delivery.

// Aposta no delivery

Já experiente nesse ramo, o empresário e proprietário do Meatz Burger, Cirano Gomes Ribeiro, garante que a expansão no setor de delivery é uma boa jogada. “O food truck exige que tenhamos uma cozinha como base da produção e a nossa fica em Águas Claras. Pensando que haviam momentos que o espaço estava parado, aproveitamos para fazer o serviço de entrega na cidade”, explica. A empresa nasceu em 2015, depois de dois anos de testes de receitas, com um trailer e em maio deste ano surgiu o delivery.

No começo de 2017, veio também a ideia de ampliar tanto a entrega quanto a abertura de um espaço fixo para os clientes. Iniciaram a reforma da loja física na Asa Sul e inauguraram em agosto. “Também estamos atendendo Asa Norte, Lago Norte e Noroeste, com outra cozinha de apoio na Asa Norte”, conta Cirano. O empresário diz estar sempre em busca de ampliação do negócio, para diversificar e intensificar sua marca.

Cirano considera que a loja é bem mais fácil enquanto negócio. “O modelo sofre menos interferência do tempo, como frio e chuva. Dependendo do evento, se chovesse, não tinha o retorno. A loja é uma coisa mais estável e o delivery garante muito movimento”, comemora. O empresário conta que a Meatz Burger já está também em outro estado. “Abrimos o delivery em Belo Horizonte. Tenho um irmão que mora lá e é gerente operacional do negócio. Nosso próximo passo é franquiar. Já vimos que é bem rentável. Temos uma oferta de empresas que franquiam e em janeiro devemos começar com a oferta”, comemora.

// Alívio para produzir

Para o empresário da Belgrado Burger, Goran Dislioski, a loja física também corresponde a um alívio. “Quando já estava bem cansado, resolvi abrir a loja. A rotina com o caminhão é difícil. Eu alugava uma cozinha, preparava tudo, desde o pão, carnes, temperos e molhos. Tem o trabalho de montar e desmontar o caminhão todas as vezes”. O sérvio preferiu então sublocar o caminhão e continuar fornecendo todos os itens. “A loja é bem mais fácil para fazer comida. Você pode inclusive fazer mais coisas, tem oportunidade para criar, brincar e experimentar mais”, explica.

O empresário iniciou seu negócio no Brasil em 2014, quando chegou ao País. Casado com uma brasileira, não conseguia ver oportunidades para trabalhar aqui e resolveu fazer um hambúrguer com ingredientes originais da Sérvia.

“Estudei a cidade e percebi que as pessoas trabalham diferente de outras partes do mundo. São muitas horas de trabalho, não tem tempo para quase nada, nem para cozinhar. Pensei, então, que se eu parasse o food truck próximo às pessoas, elas terão a oportunidade de reunir após o trabalho, vão se encontrar e se conhecer. A gastronomia conecta as pessoas”, conta.

Com caminhão desde 2014, quando chegou ao Brasil, Goran abriu a loja na Asa Norte, em outubro deste ano e garante que 90% de pessoas que frequentam o espaço já conheciam o caminhão. “Não pretendo abrir mais lojas. Tem pessoas nos procurando para franquia. Estou analisando as propostas e a logística para isso”, conta.