Junto com a corrupção e a decadência dos valores éticos e morais, o Brasil parece viver também uma era de corporativismo exacerbado. A crise política e econômica não afeta somente o dia a dia do cidadão, mas interfere diretamente na dinâmica das corporações, na medida em que muitas se veem ameaçadas em função da escassez de recursos, da perda de espaço ou do conflito de interesses. A própria evolução tecnológica coloca muitos segmentos em xeque. Essa conjuntura acaba provocando um ativismo maior por parte das corporações existentes no País, que vão desde categorias profissionais a Poderes constituídos.

A defesa de direitos é legítima, mas nunca em detrimento do bem comum. O impulso corporativista passa a ser um problema quando ele se traveste de interesse público, mas na verdade não representa um benefício para a população. Passou a ser constante no Brasil determinadas categorias falarem em nome de todos os cidadãos, como se as suas reivindicações representassem o que a maioria deseja. Não é verdade, não representam. A quem interessa aumento salarial para juízes, ministros, políticos ou procuradores, senão a eles próprios? Por que aumento para alguns e não para todos? Simplesmente porque determinados setores contam com o corporativismo.

Ocorre que, na maioria das vezes, as corporações são organizações fechadas e não representantes legítimos da sociedade. Os seus instrumentos de pressão muitas vezes implicam em greves, chantagens e troca de favores. Isso não é republicano. Ceder a demandas questionáveis de grupos isolados, como, por exemplo, acabar com os aplicativos de transporte urbano ou dar aumento para o funcionalismo em tempo de crise, é ficar refém de categorias. No ambiente legislativo, simplesmente votar de acordo com o que determinada corporação quer, como bombeiros, policiais ou ruralistas, sem levar em consideração os impactos da proposta, é reduzir a República a uma federação de corporações. É oportunismo, não democracia.

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