Houve um tempo em que as pessoas costumavam misturar bebida e direção. Infelizmente, esse tempo não ficou para trás. Ao contrário do que se esperava, o hábito criminoso ainda persiste, mesmo após o advento da Lei Seca. Somente no primeiro trimestre deste ano, 4.834 pessoas foram pegas embriagadas ao volante no Distrito Federal. Representa um aumento de 36,5% em relação ao mesmo período de 2016. Isso significa que o problema está na lei? Claro, que não. É um absurdo condenar uma legislação que veio para proteger a vida. A falha está estruturalmente na falta de educação vigente em nossa sociedade.

Não se muda uma cultura de décadas apenas com um código de letras frias. Ele é absolutamente necessário, mas a verdadeira transformação precisa se dar socialmente. Devemos encarar uns aos outros e repudiar qualquer tentativa que implique na combinação entre bebida alcoólica e trânsito. Essa é uma prática que precisa ser condenada entre os nossos familiares, amigos e colegas de trabalho. Nenhum cidadão, jovem ou idoso, pode pensar que é normal sair de uma festa embriagado e depois partir para o volante. Quantas vítimas, a exemplo do ciclista Edson Antonelli, nós perderemos para essa conduta criminosa?

A própria família da jovem que o atropelou também perdeu, pois terá que conviver eternamente com as consequências desse crime. E a meu ver, além da motorista, o Estado deve ser responsabilizado conjuntamente, na medida em que não cumpre o seu papel de educar. Os departamentos de trânsito do Brasil afora merecem a fama arrecadatória que possuem. É fácil avistar uma blitz na rua ou uma barreira eletrônica, mas onde estão as campanhas educativas, quanto se investe em conscientização? Isso ninguém sabe, ninguém vê. Enquanto a sociedade não for consciente, o tempo em que as pessoas costumavam misturar bebida e direção nunca ficará no passado. Esse será o nosso pior presente.

Adelmir Santana
Presidente do Sistema Fecomércio-DF (Fecomércio, Sesc, Senac e Instituto Fecomércio)