Balões de Ensaio

por acm

Adelmir Santana, presidente do Sistema Fecomércio-DF (Fecomércio, Sesc, Senac e Instituto Fecomércio)

A proximidade das eleições para governador do Distrito Federal tem exposto um comportamento típico da política brasiliense: primeiro se discutem os nomes, para depois se discutirem as propostas. Essa é uma inversão de valores comum no Brasil e denota o quanto ainda estamos distantes de uma campanha eleitoral focada na resolução dos problemas da cidade. Principalmente no plano local, os políticos têm se apresentado como pré-candidatos ao governo muito antes de definirem suas plataformas, o que termina resultando em um debate mais superficial e, geralmente, permeado por troca de acusações nada republicanas.

Essas lideranças acreditam que ao se lançarem como pré-candidatos estão se “cacifando” para costurar acordos mais proveitosos no futuro. A grande maioria se apresenta como possível concorrente apenas para, lá na frente, retirar a candidatura em troca de uma posição melhor na chapa. Também o fazem em busca de uma presença maior na mídia ou até para testar se seus nomes seriam bem recebidos. Caracterizam-se assim como representantes de uma maneira ultrapassada de se fazer política. Essa discussão ao redor de nomes fictícios apenas enfraquece os partidos, torna tudo mais personalista, ilude o eleitor e arrasta os candidatos reais para questões menos importantes.

Nessa conjuntura, nós, enquanto sociedade, vamos perdendo um tempo precioso que poderia estar sendo utilizado para debater o futuro de Brasília, um novo modelo de transporte, soluções para a saúde, mais eficiência no combate ao crime, qualidade do ensino e o fortalecimento da economia. Com um plano de governo bem estruturado e amplamente debatido pelos cidadãos, a escolha de um nome seria algo natural. Ficaria fácil definir o candidato mais preparado. Ficaria simples acompanhar a execução do plano. No processo de hoje, quando os atores realmente estiverem postos, pode ser tarde demais para aprofundar alguma coisa. Mais uma vez, sequer arranharemos a superfície dos problemas.

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