Está difícil acompanhar quem são os secretários de Estado do Governo de Brasília, tamanha a troca de gestores nos últimos anos. As substituições recorrentes, como sempre digo, sugerem pelo menos duas constatações: instabilidade administrativa e escolhas equivocadas. Além disso, disputas políticas e outras pressões contribuem para desgastar a administração. Os programas e políticas públicas precisam, além de boa formulação, de continuidade para ter êxito. É preciso que o nosso Executivo mantenha uma equipe minimamente coesa nesses próximos dois anos caso pretenda superar os problemas do Distrito Federal.

Chama a atenção o fato de que nenhum secretário tenha conseguido permanecer no cargo em pastas consideradas estratégicas para qualquer governo. A Secretaria de Fazenda vai para o quarto secretário; Saúde está no quarto; Segurança, no terceiro e por aí vai… Quase todos os órgãos da administração sofreram alterações em seu comando. Sem contar que muitos ocupantes são completamente desconhecidos da cena pública da cidade. Arrisco a dizer que é quase impossível encontrar um cidadão em Brasília que consiga listar o nome de todos os secretários de Estado, tamanha a rotatividade e tamanho o número de secretarias. Atualmente são 20 listadas no portal do governo.

Para quê servem tantas autarquias, eu me questiono. Para acomodar apadrinhados políticos, me respondem algumas pessoas, ou para desperdiçar recursos públicos, dizem outras. O fato é: estaríamos muito bem se ao menos Educação, Saúde, Segurança e Transportes funcionassem adequadamente. Teríamos então o desafio de alavancar a economia, o turismo e a inovação, além de outras áreas prioritárias. Mas ao contrário disso, o governo permanece inchado e ineficiente. E após repetidas administrações mal sucedidas, hoje acumulamos elefantes brancos da grandeza do Estádio Nacional de Brasília que, da forma como se encontram, nenhuma utilidade têm para a população brasiliense.